Sexta-feira, 25 de Abril de 2008

O 25 de Abril

Cavaco Silva disse estar "impressionado" com a ignorância dos mais novos em relação ao 25 de ABril. Que os jovens não queiram saber dos acontecimentos do Largo do Carmo, quando existe tanto para saber sobre a nova tatuagem que o Bill Kaulitz fez ao comemorar dezoito anos, é coisa que não me levanta uma sobrancelha. Mas que o Presidente da República venha demonstrar uma pública impressão, isso é que me faz cerrar os folículos pilares acima dos olhos numa única e espessa linha recta.

 

Tens de perceber, Cavaco, o 25 de Abril foi das revoluções mais mariquinhas de sempre. É um facto. Os franceses tiveram a sua lá pelos séculos XVIII, invadiram a Bastilha, decapitaram reis e rainhas, falaram de coisas engraçadas como igualdade e fraternidade. Os E.U.A. gostaram tanto da Festa do Chá e de tudo o que veio a seguir (coisas também engraçadas, como uma constituição escrita, a primeira de sempre, e a declaração de direitos do indivíduo) que desde então nos têm massacrado com filmes, séries e jogos. Os russos, que com todo aquele orgulho vermelho da Mãe-Pátria não gostam de ficar atrás nestas coisas, também se meteram em picardias contra o Governo, e com tanto sucesso que até foram copiadas pelos Irlandeses (assim como os Dimitri, também os O'Hara tiveram o seu domingo mais complicado) e cantadas pelos U2. Haverá melhor sinal de uma espectacularidade revolucionária quando é copiada por outros países e cantada pelo Bono? Não, não há.

 

Mas, quer dizer, e o 25 de Abril, Cavaco, deu-nos o quê? Um filme no qual se dá uma revolução armada (sim, senhor, com tanques e armas e generais e etc.), mas onde nem uma balazinha é disparada? Com tão pouco que havia para contar (com uma revolução de um único dia, o filme até se podia ter passado em tempo real, como aquela série do Jack Bauer), o mais falado do filme até acabou por ser o facto do personagem principal conseguir falar sem juntar as palavras aos movimentos dos lábios. Um talento muito engraçado para as festas, mas parece-me pouco para fascinar as gerações futuras, em especial quando há tanto a fazer para ajudar o Master Chief a dar cabo do Covenant.

 

Mas há, Cavaco, uma questão muito mais profunda em toda a ignorância que os jovens demonstram ao 25 de Abril, porque este é a melhor demonstração do portuguesismo que sempre tomou conta dos nossos políticos. Repara, que fizeram os detentores do poder de então, ao saber que havia gente a querer limpar-lhes o sebo? Como Salvador Allende, barricaram-se no palácio até que finalmente fossem apanhados? Como Hitler, enfiaram-se num bunker blindado com uma ruiva atraente que desejava fazer coisas, digamos, interessantes, até que tudo aquilo acabasse? Como Mugabe, iniciaram voltas e revoltas políticas para não terem de responder por todas as macaquices que andaram a fazer? Não, encolheram os ombros com um tão português "já me vão meter daqui para fora, não é? Pois, lá tem de ser! Isto está cada vez pior, não sei o que vou fazer da minha vida!". E desistiram sem ao menos uma chamada às Forças Armadas a apelar à protecção do Governo. Tudo bem que eram justamente as Forças Armadas que lhes queriam limpar o sebo, mas é bom recordar que até nos nossos tempos tivemos polícias a meterem-se à bulha com polícias por causa de ideais e coisas assim.

 

É isto que queremos recordar, Cavaco? Ainda para mais quando o John Cena está aí para revalidar o título da WWE? Não me parece.

 

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publicado por Rui às 15:36
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