Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

influências

Ser uma pessoa altamente influenciável, para quem tudo o que lhe é dito por outro ser humano tem muito mais valor do que eu próprio possa considerar certo ou errado, é o tipo de coisa que não fica bem referir numa entrevista de emprego, ainda que nestas se diga que o essencial no sucesso pessoal e profissional é o indivíduo ser igual a si próprio, desde que, percebo, esse igual se restrinja a um certo e determinado grupo de características. É facto que ao longo da vida me tem dado o seu n de chatices, como quando duas pessoas de igual denominador hierárquico me ordenam para situações não-associativas e me deixam fisicamente paralisado enquanto a minha mente tenta processar todas as milhentas variáveis da equação.  

 

Além disso, eu era daquelas crianças que se levantavam às sete da manhã à espera que a mira técnica saísse da televisão para ver os desenhos animados e que lia os livro de "Uma Aventura" com uma rapidez tão absurda que os colegas diziam ser impossível "ler aquilo tudo tão depressa!", pelo que muito da minha educação passou por referências como robots gigantes que se transformavam em gravadores de cassetes e putos que nem o primeiro beijo da vida tinham sacado e já andavam atrás de larápios que até da Interpol fugiam. E, claro, com os super-heróis acreditei que bastava descer porrada para resolver qualquer problema, e se o bom desta questão é que nunca cheguei ao extremo de vestir as cuecas por cima das calças, o mau foi acabar por perceber que muitos governantes do mundo ainda não deixaram de pensar assim e sentam-se com as suas maciças erecções balísticas a decidir os destinos do mundo. 

 

Aconteceu não estranhar quando deixei de acreditar no Pai Natal, porque se há história suspeita é essa do velho gordo e preguiçoso que trabalha uma única noite em todo o ano a invadir casas alheias para agradar criancinhas, é o tipo de notícias que passam na televisão e em que os petizes não ficam propriamente com prendas, mas mais com coisas tipo traumas para o resto da vida, mas foi um trauma, isso sim, o conceito da inflação. Ali estava eu, com o Tio Patinhas, a acreditar como cada centavo poupado era cada centavo ganho, e cai, vinda do nada, implacável, a crise económica e todos os conceitos que gravitam em redor, para mostrar que nos nossos dias um cêntimo poupado hoje é, na melhor das hipóteses, meio cêntimo poupado amanhã. E tivessem-me explicado isso no então que eu hoje olharia com olhos bem mais sabedores o pato mais rico do mundo e para aquela mania, também altamente suspeita, de andar sem calças.

 

Nota: não quero parecer ingrato, é um facto que o meu pai desde sempre me tentou mostrar que a vida era complicada, mas, quer dizer, aos dez anos lá sabia qual era o conceito de complicado, aos quinze já sabia muito bem esse significado, e melhor que ninguém!, porque qualquer pessoa com quinze anos sabe que já sabe tudo da vida e não precisa que ninguém lhe venha explicar, aos vinte ainda estava naquele pinta pós-teenager de mostrar que ainda não estava para aceitar assim, de mão dada, as lições do progenitor. É por isso que espero não calhar com filhos de cromossomas Y, estou mesmo a ver os putos a fazer-me passar aquilo que fiz os meus pais aturarem, é coisa para a qual não me estou a ver com pachorra.

 

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publicado por Rui às 22:37
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1 comentário:
De Nuno a 24 de Junho de 2008 às 18:03
O quanto eu te compreendo. Eu aprendi o que era inflação com o Pateta, vê lá!

Mas tu pensas em ter filhos, contruir um lar, etc?


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