Sábado, 21 de Junho de 2008

dois a três

Agora que o sonho acabou e a armada germânica derrotou a milícia lusitana, é a altura de lançar umas ideias, e convém dizer que qualquer consideração técnica e estratégica sobre futebol passam-me ao lado como balas do Matrix, porque nem foi há muito tempo que me explicaram o ter o Ricardo Carvalho a central e como isso influencia o modelo de 4x4x2 do Scolari. A não ser, claro, que o modelo seja o 4x3x3 e eu continue sem perceber. Mas porque aprecio os bastidores de conluio, corrupção e chavascal que rodeiam o fascinante mundo da bola, vamos lá.
 

 - uma selecção de futebol é factor de divulgação do país: não tenho acesso aos avançados estudos de correlação futebol / indicadores sócio-económicos, mas será um argumento tão falacioso quanto a modelo que namora um jogador aumentar o valor da sua imagem. Sim, Merche, estamos a olhar para ti, tão valorizada enquanto andavas com o puto e tão chateada quando romperam e as agências diminuíram em muito os teus cachet! Uma país cria verdadeira divulgação, e não um pico orgásmico de um par de semanas, quando as empresas têm condições económicas de se fixarem no território e os turistas tem condições de acolhimento, algo que escapou por completo à grega que nos acompanhou durante os Santos Populares;

 

 - é um dever patriótico apoiar os "Viriatos": se isto fosse o filme "Superman Returns", este seria o momento em que um Kevin Spacey careca berrava "WRONG!". Parece-me um pénis de argumento achar que por todos estarem tão lacrimejantemente preocupados com os jogadores, eles hão-de ficar tão preocupados com todos, o que fica ainda mais parvo quando dois dias antes dos jogos se resmunga que "tudo neste país é uma merda". Mas posso ficar convencido no dia em que vir alguém chorar baba e ranho por o Nuno Delgado falhar a final dos Olímpicos;
 

 - o futebol é um propulsor de energias políticas e financeiras: o Euro 2004 podia ter sido uma oportunidade se tivessem considerado o que fazer com os estádios no após, se o evento fosse por todo o país em vez de ser enfiado no litoral, se houvessem ideias interessantes como deixar Benfica e Sporting a partilhar um mesmo estádio em vez de torrar duas mega-estruturas. Esta ideia deixaria a espumar os mais histéricos, como quem berrou o João Pinto como um símbolo vitalício da Luz que nunca iria sair, meses antes de ele mandar copular a todos e mudar-se para Alvalade, mas é isso que Inter e AC fazem no estádio de San Siro. E que dizer de exemplos como o Beira-Mar, com o estádio construído tão longe da cidade que torna ainda mais difícil a rentabilização, tornando o espaço um vórtice de mil euros diários que não sobrevive sem a autarquia, que não irá deixar cair uma instituição tão "fundamental" quanto aquela equipa.
 

Mas isto tem de ser o artigo mais inútil que escrevi. Já se fala na hipótese de uma candidatura conjunta com Espanha ao Mundial de 2018, uma ideia tão interessante quanto limparem-me o rabo com lixa de madeira, mas todos irão defraldar as bandeiras e exigi-lo, porque é uma oportunidade única, porque não se pode desprezar a imagem projectada, porque as oportunidades para a criação de empregos são imensas, ainda que a maioria destes vá para os imigrantes de Leste e de África nas obras e os licenciados servirem à mesa os visitantes. Esta semana o José Lello defendeu num debate da RTP o Euro 2004, argumentando que não tinham existido derrapagens orçamentais nos estádios e sim nas envolventes, mas que estádios e envolventes eram coisas distintas que não podiam ser confundidas, um argumento que prova que uma pessoa e um cérebro também são coisas distintas que não devem ser confundidas.

 

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publicado por Rui às 11:44
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2 comentários:
De Mauro Maia a 22 de Junho de 2008 às 17:53
Era ver se havia choro de baba e ranho pelo Nuno Delgado ou quiçá o aparente incrível de colocar bandeiras nacionais por tudo quanto seja janela quando os nossos atletas ganham uma exorbitante quantidade de medalhas nos Jogos Paralímpicos. É que a selecção lá vai tendo os seus quês, pode ganhar ou não, já os Atletas Portgueses Paralímpicos quase certamente ganharão. Será o problema esse mesmo? A vitória assegurada? A Selecção Scolariana parece que tem tudo para ganhar mas não ganha, os Atletas Paralímpicos parecem nada ter para ganhar mas ganha. Será o gosto português pela tragédia, pelo quase eu se fica no poste em vez de entrar, por um Rei megalómano que deu de mão beijada o seu país em troca da glória nunca realizada de votar um dia numa manhã de nevoeiro? No fundo, se calhar, os portugueses gostam da tragédia do «É pá, foi quase, estávamos mesmo lá mas deitámos tudo a perder» ao «Se calhar não temos grandes hipóteses mas olha, até ganhámos». No dia em que a Selecção ganhar o Europeu (ou, ó gloriosa manhã de nevoeiro! o Mundial) terá essa vitória um sabor doce com travo amargo, uma massagem agradável nas papilas gustativas mas com um sabor final adstringente? «É pá, olha, comos campeões europeus. E agora? Somos os maiores, não podemos sofrer mais por causa das derrotas. Como será que está a equipa de esqui alpino portuguesa?». Somos um povo que adora o seu fado, o seu destino tráico, chorar as suas lágrimas. Selecção, obrigado por mais uma vez não nos tirares a doce-amargo das nossas lágrimas!


De Nuno a 24 de Junho de 2008 às 17:59
Eu vou aos Jogos Olímpicos de Pequim?

Pensei que a minha vida era fazer publicidades a margarina e em como isso melhora as hipóteses de projectar um Ucrâniano de peso semelhante ao meu...

LOL!


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