Terça-feira, 27 de Maio de 2008

Assim a modos que coisas

Se há maneira mais agradável de acordar que com alguém a berrar por estar uma ratazana na casa-de-banho, não consigo imaginar. E daí, consigo imaginar muitas mais maneiras, sendo que a maioria envolve a mim, a Soraia Chaves, e massagens sensuais em locais exóticos. Que piadinha mais básica, hã?, esta que envolve a mim, a Soraia Chaves e massagens sensuais em locais exóticos. Um momento a pedir entrega e imaginação, e lá estou eu com a brejeirice corriqueira que envolve a mim, a Soraia Chaves e  massagens sensuais em locais exóticos. Vamos tentar algo mais profundo, mais interligado com a Força Universal que rege o Tao, em vez de uma graçola seca que envolve a mim, a Soraia Chaves, e massagens sensuais em locais exóticos. Até porque estar sempre a escrever a referência que envolve a mim, a Soraia Chaves, e massagens sensuais em locais exóticos, é coisa que cansa. Podem dizer parar usar o copy/paste, mas a verdade é que não sou do género do copy/paste, acho assim um bocado mariquinhas. Sou mais da velha guarda, para quem copiar e colar é para as crianças do infantário, e pertenço até à escola do escrever por extenso, em vez de mil novecentos e noventa e oito em numeral, prefiro mil novecentos e noventa e oito em extenso. E uma vez que o Bloquito(s) também é meu, não podem fazer nada para me deter <-- risada maquiavélica-->! A não ser que corrompam o compincha, e eu que sou sou daqueles que acreditam que cada homem tem um preço e que é sempre possível fazer-lhe uma oferta que não poderá recusar. Pelo que sim, é possível que o compincha se deixasse corromper, em especial se o preço envolvesse ele, a Soraia Chaves, e massagens sensuais em locais exóticos.

 

Mas falava de maneiras mais agradáveis de acordar que aquela referida ao início, e acho que posso imaginar a mim, a Sorai, um taco de basebol, e aquela malta que se cruza comigo na rua e desvia-se para o mesmo lado que eu: se vou para a direita, vão para a direita, se desvio para a esquerda, acompanham-me para a esquerda. E isto continua! Se ficassem apenas pela confusão direita/direita, ou esquerda/esquerda, mas não, irão desviar-se para a direita quando me desviar para a direita, e depois driblar para a esquerda quando me movimentar para a esquerda, e depois voltar novamente para a direita quando já estiver a bufar pela direita, e ficamos ali um jogo de direita/esquerda/direita/esquerda que fará quem nos vir a pensar que dois maluquinhos ali a dançar kizomba na praça pública! E ainda que, pensará indubidavelmente o incauto trausente, seja um arrasadoramente belo maluquinho - referindo-se a mim, claro - não deixa de ser um figura de parvo. Haverá gente mais merecedora de ser espancada com um taco de basebol que esta? Há, a verdade é que há, há sempre gente ainda mais merecedora de ser espancada com um taco de basebol.

 

Esta é uma verdade irrefutável da Vida, e não aquela trenguice d' O Segredo, segundo o qual quem tenha pensamentos bonzinhos atrai para a sua vida acontecimentos bonzinhos, e é um corolário desta regra que se pensamentos bonzinhos atraem acontecimentos bonzinhos, pensamentos mauzinhos irão atrair acontecimentos mauzinhos, o que me faz pensar que pelo menos a Humanidade evoluiu mesmo desde a Idade Média, porque se dantes eram todas as nossas acções que nos colocavam no Inferno, agora são todos os pensamentos. Um estalo de luva branca a quem diz que as religiões não evoluem. Mas há gente ainda mais merecedora de um taco de basebol do que aquelas acima referidas, como por exemplo, malta que percebe não haver detergente da loiça, e uma vez que percorrer um caminho de dois minutos a pé para comprar o dito cujo é demasiado, optam por lavar a loiça com amoníaco. Pois, amoníaco, aquilo que não deve ser ingerido e que pode provocar melanomas e outras. Se este género de pessoas não merecia pelo menos um taco de golfe, há quem considere que não se desceu fundo o suficiente e façam tudo por começar a escavar, mesmo que em cima de granito rochoso. Como aquela malta que por acaso até é adepta d' O Segredo, e para quem, aparentemente, alguém cometer um engano tão parolo quando lavar loiça com produtos cancerígenos não merece sequer um bofetão, devendo antes ser louvado por nos fazer crescer enquanto pessoas e mais rapidamente encontrar o caminho para o Nirvana. Já o dizia o poeta, chocam-me o racismo e a intolerância religiosa, choca-me que existam pessoas a odiar por motivos de cor e religião, quando existem tantos motivos para odiar tanta gente. 

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publicado por Rui às 20:25
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Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

Não vale a pena ler isto...

Não vale mesmo a pena ler isto. O facto é que o escrevi há uns dias. Apenas para comprovar que o animal "Blog" é o mais próximo que o vulgar mortal com magro ordenado tem de Terapia. Ouvimos dizer isto da boca de um "adulto" na altura em que não o éramos. E funciona! Nada como pôr para fora o que não interessa para ficar o que interessa. Simples triagem de lixos...

 

"Já não sou quem era", diz a canção. Mas também não sei quem sou. Dilema idiota adolescente ou de adolescente idiota, bem sei. Mas tenho a distinta certeza de não fazer a mínima ideia de "quem" ou "o que" sou.

Sou professor, é certo. Se bem que uma profissão nunca definiu uma alma. E a grande maioria das vezes não sinto que tenha ensinado o que quer que seja a quem quer que seja. Apenas costumo ser chamado de professor pelos corredores da escola.

"Desfolho" o meu blog de poesia, o Porta para Dentro, e fico com a mais positiva certeza que não sei quem terá escrito tais versos. Mas sei que o invejo. Todos falam duma tal musa, duma paixão pela escrita que não conheço em ninguém à minha volta ou dentro de mim. A porta para dentro está perra, madeira inchada pela humidade açoreana. Mas já se tinha trancado havia muito tempo antes disso...

Nessas tentativas banais de re-entrar em mim, espreitando nas vidraças como um puto guloso na montra duma loja de bolos, dou por mim a reparar em pequenos problemas óbvios na minha casa: deixei de ter hobbies, aqueles que se esfarrapam todos ao ser traduzidos para um banal "passatempos". O meu tempo passa, sim. Tenho dias que julgo terem dez horas apenas e outros em que nao lhes vejo o fim (talvez se equilibrem e no fim acabe por viver o mesmo número de anos que qualquer um de vós). Mas em qualquer um desses dias, em cada uma dessas jornadas sinto que, malogradamente os meus esforços, não existi.

Não fui.

Não fiz.

Qualquer um desses dias teima em voltar ao meu porto, ancorar o seu casco sem nunca me trazer de volta como passageiro.

Não estou.

Passo horas a fio na sala de espera de mim mesmo sentado defronte um documento aberto do Word ou um qualquer caderno solícito e teimosamente branco para (por volta da hora em que tenho que pensar como sobreviver ao dia seguinte) alguém me ver dizer que eu hoje já não virei e que terei que voltar noutro dia.

Esqueço-me de tudo. Não tenho lembrança da última boa ideia que tive e que não se tivesse desvanecido no fumo de um virar de assunto. "É só uma fase", repito a mim mesmo. Mas não adianta. É evidente que não estou lá para ouvir.

E é aproximadamente nesta altura em que começo a confundir Introspecção com Egocentrismo. "Eu, Eu, Eu..." ... "Mim, Mim, Mim..." E não consigo deslindar essa estrita fronteira. Como entrar em mim sem levar gananciosamente para dentro tudo aquilo que foi ficando trancado do lado de fora da porta emperrada? Carrego tudo isso pela janela adentro, ladrão invertedido que sou.

A falta de espaço não será problema: o Vazio escarranchou as pernas no único sofá e não dá o comando da TV a ninguém. Só tenho que o expulsar. Talvez faça uma cena de histérico despeitado, traído numa ausência, e lhe atire artigos de blog desconexos que se vão estilhaçar na parede atrás dele, como sempre acontece nestas alturas.

Talvez a minha musa o expulse por mim... Ou talvez não...

Eu tenho que regressar primeiro, descobrir (como todos temos que fazer a dada altura na vida) até onde devemos nadar com bóia e até que ponto só chegaremos a terra firme se esbracejarmos sozinhos. Creio que o equilíbrio entre os dois é o que nos mantém à tona: A bóia não pode ser tudo, não pode ser o nosso mundo. Mas nadar sem pé, em mar alto, cansa, afogamo-nos lentamente.

Tenho necessidade de ser eu. Tenho que existir. Saltar atrás de um repórter num qualquer directo televisivo não chega. Tenho que escrever no muro descascado do mundo "Eu Estive Aqui!", nem que seja com spray da loja dos trezentos...

publicado por Luís às 21:11
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Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Brincadeiras de criança

 

 

 

A seguir: não te esqueças de nós... 

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publicado por Rui às 22:07
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Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Friends will be friends...

Começa-se com um simples olhar. O primeiro amigo que se faz é aquele que nós olhamos e esquecemos segundos depois, como que acometidos de uma memória de peixe. Pode ser outro bebé, o brinco da nossa mãe ou até mesmo a fralda suja que, por breves instantes esteve pousada ali perto.

Depois vem o Verbo. A palavra permite-nos interagir com outros como nós. Aí, qualquer pessoa que tenha dois braços, duas pernas e esteja durante mais que uma semana no nosso bairro é o nosso melhor amigo. Nessas alturas somos tão moldáveis que somos amigos de qualquer outro miúdo que esteja por perto, mesmo que não tenha gostos semelhantes, mesmo clube de futebol, mesma crença, mesmo que não goste de leite-creme.

A adolescência filtra mais um pouco. Aí agarramo-nos aos gostos comuns. Se alguém gosta do mesmo género musical que eu, é meu amigo. Se gosta da mesma banda, é o meu melhor amigo. Se gosta da mesma música dessa banda que eu, é o meu hiper-zega-melhor amigo. Então se tem aquele verso em especial, dessa mesma música, escrito na capa do caderno, sinto que seria capaz de dar a minha vida por esse amigo. E pensa-se que esse amigo será para sempre.

Tempos de faculdade, pós-adolescência, tornam os amigos sólidos. Porque começamos a dar os primeiros passos naquilo que se chama de "Escolha". Começamos a optar com quem nos damos. Não há um grupo enorme (ou diminuto) com que tomamos café que cresce e decresce sem qualquer controlo da nossa parte. Não. Somos nós que fazemos essas transferências. Optamos por não sair quando determinado "aquele" também fôr. Começamos a dizer a outras pessoas, com consciência de causa, "Não te gramo. Desculpa, a culpa não é tua, só não vou à bola contigo." E depois conversa-se sobre isso. Nesta altura pensa-se também que, aquele amigo com quem se partilhou casa durante anos, a quem se confidenciou TUDO (desde o medo dum teste até à existência de borbulhas em zonas embaraçosas) também esse amigo se julga que será para sempre.

O Trabalho arromba a porta, como polícias numa rusga. Encapuzado, não permite perguntas, não espera explicações. Apenas grita ordens enquanto nos aponta uma lanterna forte e uma arma à cara. E obedecemos. Nessa altura esticamos as mãos por toda a parte, telemóveis, messenger, e-mail... Procuramos e inventamos novas formas de não "perder o contacto" com os amigos. Aprendemos a mandar mensagens do género "Então, está tudo bem?" Mensagens que, ao fim ao cabo, não perguntam nada que realmente queiramos saber. Apenas temos necessidade de dizer "Hei, não te esqueças de mim!" mas não sabemos como o dizer. Deixamos de ter assunto. Sentamo-nos com os amigos que "eram para sempre" e damos por nós a falar do Passado e do clima. E o Passado é tecido curto para nos cobrir durante muito tempo. Empregos diferentes, cidades diferentes, hobbies diferentes, praticamente idiomas diferentes... Os novos amigos voltam a ser os dos espaços comuns. Os amigos do "por acaso". São os amigos que "por acaso" andam no mesmo ginásio, os amigos que "por acaso" trabalham na secretária ao lado da minha, os amigos que "por acaso" almoçam na mesa onde eu almoço. Serão sempre pessoas em quem nunca se irá confidenciar algo, apenas estranhos com quem, num dia de desatenção, talvez se poderá desbafar. Nada mais. Tacteia-se, fala-se de assuntos como música, cinema ou mesmo Filosofia de Vida de uma forma cautelosa pois as hipóteses de se encontrar alguém com gostos semelhantes é ínfima. Passamos a ter muito pouca capacidade de nos moldarmos aos outros. Não nos conseguimos incomodar. Dialogamos dentro do essencial.

Começam a existir porções enormes de nós que, se anteriormente eram do conhecimento de duas ou três pessoas selecionadas, agora são completamente obscuras, perdidas nas brechas infinitas do sofá das nossas mentes como trocos caídos do bolso ou o comando do vídeo.

Salvam-nos as pessoas a quem se pode enviar uma mensagem ocasional sobre um livro ou um filme, sobre um episódio caricato ou uma novidade e em quem sabemos que não irá cair em saco roto.

Como será daqui para a frente não calculo, mas creio que a estrada se estreitará. Novos locais de trabalho, novos conhecimentos. Gente que até poderá vir a jantar em nossa casa, passar uns dias, mas com quem nunca estaremos à vontade para partilhar uma caneca ou pedir um favor sem dizer "Obrigado. Depois temos que fazer contas. Eu insisto." Antigamente não era preciso...

publicado por Luís às 12:06
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Sabedoria Payneana...

"Nada é cliché quando te acontece a ti..."

publicado por Luís às 11:38
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Sábado, 10 de Maio de 2008

D'O Ambiente

 

 

 

 

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publicado por Rui às 21:34
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Domingo, 4 de Maio de 2008

O Ódio

É um facto que por estes dias já não se odeia nada nem ninguém. Quanto muito, tem-se "uma experiência". Não se detesta o patrão alucinado e de cabelos desgrenhados que ainda mal entrou pelo corredor e já vem aos berros: não, é "uma experiência" conhecer alguém assim. Não se odeia a amante que era uma histérica que reclamava de todos aquilo que ela própria estava sempre a fazer: de maneira alguma, "uma pessoa torna-se mais forte" com uma relação destas. Não sobe à garganta o asco e a bílis de ser atropelado por uma ambulância do INEM e, como resultado, ficar paraplégico com apenas alguns anos de vida: não, é "uma oportunidade". Não se esclarece que oportunista oportunidade abre uma oportunidade destas, mas fica esclarecido: é uma oportunidade.

 

Por outro lado, ama-se muito. Discordo em absoluto de quem defende a Bíblia como a suprema obra de Amor, pois há muito percebi que é a revista Caras que devia carregar tão digno galardão. Sempre que o meu coração se sente negro, retorcido, avassalado pelas circunstâncias do Universo, basta passar os olhos pelas capas do Jet 7 nacional para ficar com uma renovada fé na Humanidade: tantos "eu amo a vida" e "tenho sede de viver" são algo tão digno de ser apreciado quanto os Evangelhos. Quem disse que as elocubrações de Paulo, Lucas e Mateus são mais dignas que as entrevistas de Caneças, Bobone e Castelo-Branco?

 

publicado por Rui às 11:42
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Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

Adiposidades

Os especialistas podem dizer que ao início do séc. XXI o papel da mulher enfrenta uma mudança de paradigma (magnífica expressão!), como os conceitos da super-mãe que articula família e trabalho com todos os grandes e pequenos nadas da vida, da mulher de negócios que quebra os preconceitos empresariais para subir ao topo da área de negócios; mas há um aspecto que psicólogos, sociólogos e antropólogos falham em referir. É que, à entrada do séc. XXI, as mulheres estão gordas. Assim a modos que balofas. Poderosamente rechonchudas. Inacreditavelmente a cair um bocadinho para o entronchadas. Mas não sou eu que o digo. São, enfim, todas elas!

 

Pode ser que esteja a ser redutor. Que não conheça assim tantos membros do sexo feminino para dizer coisas destas, mas o que vejo é que, independentemente de rebentarem mesmo com as escalas das balanças, serem um palitos escanzelados, modelos de absoluta normalidade, ou apenas podres de boas, é fatal que chegará o momento do "...Ai!... Estou tão gorda!...". E não restem dúvidas que se seguirão os companheiros de sempre, os "estas banhas!", "já viste bem o tamanho do meu pandeiro?", e qualquer coisa que inclua a palavra "dieta". A esta dietética referência segue-se um pedaço de conversa que consegue ser ainda mais entendiante, onde entram a dieta de Atkins, da sopa, do Tao, entre outras parvoíces, a contagem dos hidratos de carbono, as tabelas de conversão de calorias, os produtos diet, low fat, light, extra-light, super-extra-light, super-hiper-mega-zega-rifixe-diet-low-fat-light.

 

E se esta coisa continua! São garantidas horas e horas de massagens, nutrições, frutas ao pequeno-almoço e saladas ao jantar, com uma torrada (sem manteiga) a meio da manhã, exercícios localizados nas coxas, inscrições no ginásio, passeios após o jantar, cintas e depuralinas! Mas este é o momento da conversa em que eu, gentilmente, admito que começou a chover e deixei a roupa a secar lá fora...

 

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publicado por Rui às 19:33
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Desabafo, parte XIII...

Encho o peito de ar e entro em mim de novo. Encontro aquilo que tenho encontrado sempre, todos os dias e noites, de cada vez que tento encontrar inspiração: nada...

Aterro com um estrondo num deserto quente, formando uma coluna de areia enorme, com o impacto. Só cuspo areia e letras soltas que me ficam presas na boca. Olho em volta, à procura de algo, de uma ninharia qualquer que me puxe em qualquer direcção, mas nada surge. Nem uma folha à volta da qual pudesse criar um oásis, nem um pelo à volta do qual pudesse fazer surgir um camelo idiota. Apenas um enorme nada que me aperta por todo o lado com a sua simplicidade ensurtecedora.

A Banda-Desenhada parece-me fútil. Super-poderes, espadas, dragões, feitiços... Temo bem que, malogradamente aquilo que o meu Consciente acreditava, me estou finalmente a aperceber que (infelizmente) não existe gente que voa e que tem força para levantar autocarros com dois dedos. Além disso, egocênctrico como sou, fazer Banda-Desenhada para mim próprio já não chega. Não existe estímulo maior à criação que estar inserido numa turma onde, dia após dia, me era perguntado, no meio das aulas em surdina: "Hei, Luís! A tua BD? Já fizeste mais?" Frase-chave. Não tenho público, não funciono.

A Escrita não se-me impõe. Todo o meu desfiar de palavreado advém advinha sempre de uma simples e linear ideia à volta da qual eu colocava ramos, folhas, frutos, coelhos, navalhas e pingos de sangue num dos muitos momentos livres em que deixava a minha mente derivar por entre ondas férteis de idiotice. Neste momento, qualquer segundo em que páro para pensar dou por mim a divagar nas várias formas que os meus "alunos" poderão agredir os colegas fisicamente e nas magras formas que tenho de os controlar. E nada mais além disso. Sinto-me, genuinamente, como um traumatizado do Vietnam ou do nosso Ultramar que acorda de noite imerso em suores a gritar o nome de um qualquer aluno. Vou tatuar num braço umas letras ensanguentadas "Escola do Fischer 2008/2009"... Talvez, depois de uns bons dias entrado de férias consiga produzir.

Mas por enquanto agarro punhadas de areia e deixo-a escorrer pelos dedos. Quente, suave... branca, igual, sem sabor, básica... Mais vale sair daqui de novo e regressar àquele outro sítio onde imagino como e quando aquela serra da sala vai encontrar o seu caminho até à vista de um "aluno" qualquer...

 

 

publicado por Luís às 12:10
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