Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

cá uma anarquia!...

Coisa que me faz jorrar ódio é a malta dos tags que escrevinha letras onde lhes dá vontade e acham que são artistas. Parte de os ter como uma cambada de fenomenais idiotas  passa por essas essas letras não terem qualquer significado, mas em especial quando deixam coisas como "abaixo o capitalismo!" e se acham bué da anarcas. Não. Parem! Não quero ouvir que são "manifestações do elevado descontentamento em relação à actual situação" e blá, blá, blá, porque se tivessem um mínimo de capacidade, e obviamente que não têm, pensariam duas vezes antes de se "manifestarem". Mas um pouco de História, então.

 

Há muito tempo, eram os reis os governantes do país, e eram escolhidos consoante nasciam. Há quem considere essa uma óptima ideia, mesmo se fosse hoje o Dom Duarte o nosso senhor, mas podia ser muito pior, nos Egiptos e Japãos havia "reis" considerados seres divinos, e chamados de "faraós" ou "imperadores". Não tenho nada contra o D. Duarte, mas considerá-lo um anjo é exagerado, aliás, qualquer coisa acima de "gajo com pinta do taberneiro ali da tasca na esquina"  já seria demais. Essa altura em que os reis eram levados a sério, e não como uma desculpa para encher capas da Hola!, era uma altura em que não haviam telemóveis nem Internet, e quanto maior a distância mais tramado era tratar dos problemas, pelo que as terras eram dadas aos nobres e ficavam à sua responsabilidade. Estas terras eram como pequenos países, com um castelo como capital, as muralhas como fronteiras, os escravos como camponeses a fazerem tudo nas plantações, pescas, gado, etc., de onde tiravam o suficiente para se aguentarem e davam o resto ao senhor, e ainda pagavam impostos, mais extras pelo nascimento dos novos senhores, dos casamentos reais, dos funerais, baptizados, crismas, extremas unções, perdas de virgindade, entre outros. Se não gostassem e reclamassem, podiam ser expulsos, espancados, torturados, afogados ou massacrados com extraordinários requintes de malvadez, ou podiam apelar à Igreja e serem considerados hereges, sendo então expulsos, espancados, torturados, afogados ou massacrados com extraordinários requintes de malvadez. Os taradinhos das fantasias medievais podem achar uma época fascinante, mas devem ter sido tempos de merda, literalmente, porque não existiam esgotos nem ideias de higiene e a quantidade e qualidade de excrementos seria fabulosa. Quando ouço alguém falar da extraordinária imaginação dos Tolkien e C.S. Lewis da vida lembro-me de em criança considerar o Benfica uma extraordinária dádiva dos Céus, para crescer e perceber que tão gloriosa oferta não era mais que uma cambada gentes a debitarem frases de efeito a quem era dada muito mais atenção do que seria razoável em qualquer ponto da galáxia.

 

Agora, o capitalismo. A única coisa que me faz jorrar ainda mais asco que a malta do tag é a malta do tunning, aquela para quem um carro rosa com bancos em cabedal branco é uma expressão artística e para quem a companhia feminina é para deixar algumas horas à espera enquanto se discute com os amigos a última aplicação de néon para enfiar no tubo de escape. Sim, é malta cool que usa bonés de noite, mete o subwoofer topo-de-gama comprado com a mesada dos pais a bombar Frank Maurel porque pensam que é música, e que acham "The Fast And The Furious" o melhor filme jamais feito. Mas é adequado, porque o capitalismo começou também com Henry Ford, que nas alturas dele percebeu que a construir mais carros ganhava mais dinheiro, e alinhou as linhas de montagem das fábricas, especializando funcionários e aumentando os salários ao mesmo tempo que dava regalias fabulosas. Como os lucros do velho subiram de uma maneira parva, muitos outros patrões o copiaram e isso resultou em muitos outros trabalhadores a conseguirem muitos outros meios de terem dinheiro. Com os mealheiros recheados, finalmente podiam mandar os senhores do feudalismo aquela partes e, sem estas classes mais altas a armarem-se em espertas, ideias de liberdade e igualdade da Independência dos E.U.A. e da Revolução Francesa puderam espalhar-se, o que lançou as bases e liberdades da actual sociedade, sociedade essa em que determinada malta pode comprar grossas canetas de feltro para barafustar contra um sistema que lhes permite justamente ter a liberdade de comprar grossas canetas de feltro para barafustarem contra o sistema, em vez de as aproveitarem para fazer uma colonoscopia a si próprios. Sem anestesia.

 

Etiqueta:
publicado por Rui às 23:15
ligação | comentar
3 comentários:
De anonimo a 12 de Julho de 2008 às 20:39
Ocupas demasiado tempo a odiar pessoas que nada têm a ver contigo...


De Rui a 13 de Julho de 2008 às 20:27
É verdade, o meu médico já disse que tenho de me acalmar se quiser chegar aos trinta, os meus pais desesperam para que aprenda a relaxar, os meus amigos evitam-me quando estou naquelas alturas e as namoradas acabam tudo quando assistem ao primeiro ataque, o que acaba por resultar que eu passe os dias enfiado dentro de mim próprio a ruminar como as pessoas não valem nada e como eu valho ainda menos do que todas elas. É uma maneira triste de viver, é verdade, e o meu único consolo é que podia ser ainda pior. Imagina, por exemplo, que eu andava pela vida a fazer comentários anónimos em blogs de pessoas que não conheço de lado nenhum. É só uma ideia.


De Nuno a 18 de Julho de 2008 às 17:25
Eu adoro estes textos, o humor mordaz e a capacidade de por em texto aquelas ideias avulsas que me cruzam a massa cinzenta de quando em vez.

Concordo que a malta dos tags e a malta do tuning tem muito falta de cultura, de perceber de onde vêem as ideias e morais que defendem, os conceitos que baseiam as suas atitudes!

Mas acima de tudo, gostei do teu comentário ao comentário anónimo!


Comentar post

Março 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

29
30
31


Pesquisar

 

Arquivos

Março 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Maio 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Artigos recentes

assim a modos que daquela...

coisas em que não se pens...

também é verdade

os anéis no céu

P.A.C. Man

no trabalho

emoções

à procura...

#1

intenções

RSS

:.