Terça-feira, 12 de Agosto de 2008

maléna

É difícil perceber o que faz um bom filme, mas por outro lado, existem muitos sinais para reconhecer um mau. Qualquer filme que passe mensagens paranóicas, como uma pessoa ter de perder a virgindade na noite do baile de finalistas caso contrário torna-se um sociopata sem qualquer capacidade de relacionamento humano, é um mau filme. Qualquer filme em que o protagonista faz um apaixonado discurso em público sobre o amor e a liberdade que termina com toda a gente a bater palmas em pé, além de mau filme, é um filme idiota. Existem também os filmes que, por princípio, teriam de me arrastar a berrar e a espernear para o ver, e acabo a admitir que sim senhor, é muito bom, como no caso do último 007, "Casino Royale" ou, do lado contrário, os filmes dos quais quero gostar, mas com os quais não consigo ficar satisfeito, como no "O Regresso do Super-Homem", ou em "Maléna". 

 

"Maléna" é um filme italiano recomendado pelo manitum, no qual um rapazola se apaixona pela Monica Belluci e passa a infância perdido de amores por ela. Fez-me lembrar os meus tempos de petiz e como tinha uma paixão parva pela professora de Inglês, que além de linda de morrer era ainda a melhor professora da turma, e é uma boa referência que um filme puxe por algumas felizes memórias da infância. E os cenários da cidade transalpina são lindíssimos, um postal turístico maravilhoso da costa siciliana.

 

O problema começa quando se percebe que apesar do filme estar feito para ser um altar de adoração à Monica Belluci, alguém se esqueceu de dar uma personalidade à personagem dela, que passa todo o tempo sem soltar mais que uma dezena de frases e fez-me pensar porque é que o rapazola ia perder tanto tempo a preocupar-se com ela, a ponto de a proteger como a um anjo da guarda. Ou porque é que a cidade inteira está para devassar a vida dela, haveria por ali outras mulheres bonitas a quem chatear a cabeça. Essa é outra, se algum extra-terrestre quiser estudar a vida humana e começar por este filme, vai ficar com a certeza absoluta de todos os homens serem uma cambada de tarados, pervertidos, indecentes e incapazes, e todas as mulheres víboras venenosas a espirrar veneno a cada palavra e que se trincassem a língua morriam logo ali fulminadas. Apesar disso, ao final é como se nada tivesse acontecido, tudo fica bem entre Maléna e a cidade, como se não a tivessem tratado abaixo de uma cadela nem a espancado na praça pública. Não é um filme que eu recomendasse, a construir uma história inteira à volta de uma única personagem, é bom que a façam o mais fascinante e espectacular possível, caso contrário, não me vou chatear o suficiente para me preocupar. Para mais dúvidas em relação a essa questão, perguntem ao seguinte senhor.

 

 

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publicado por Rui às 22:06
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1 comentário:
De Mauro Maia a 24 de Agosto de 2008 às 22:19
Bem, subre o filme, devo dizer que concordo contigo em bastantes coisas. Mas faltou-te o que é, para mim, como manitum sem designação, o ponto alto do filme: a cena final. Agora que o revi, concluo mais uma vez que o filme todo foi feito para justificar a cena final e para lhe dar contexto e profundidade. A Monica Bellucci está no seu melhor fisicamente (ou quase, no Matrix estava ainda melhor, no Drácula estava pior) e o filme é um templo eirigdo em homenagem às suas curvas (pena que os seios tenham o rótulo «Made in Taiwan» ou outro sítio qualquer, mas isso é outra questão). São duas horas de filme que justificam uma cena de 2 minutos. Porque se acotevelam os homens da aldeia para babarem pela Malèna e coscuvilham as mulheres contra ela? Porque é uma aldeia, da rural Sicília, de antes da Máfia e da liberdade sexual. Como diz o advogado (que aproveita para tirar a sua casquinha) «´Crime dela: ser bela». Haveria outras belezas femininas na pequena aldeia pré-mafiosa? Claramente, pela cara dos homens (e mais ainda pela das mulheres) não. Vi, Vejo e verei sempre pela cena final.


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