Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

perdi o comboio

Uma teoria popular é a de um ser todo-poderoso, a que podemos chamar "Deus", que cuida de nós porque nos ama muito e para sempre, mas em nenhum momento esta teoria se revela mais disparatada que quando perco o comboio. Repara, "Deus", e o nome entre aspas deve ser lido naquele tom sarcástico que só uma mulher irritada sabe utilizar, não estou a falar em perder o comboio por um intervalo de tempo tão parvo que era óbvio que nem devia ter saído de casa, mas por aquela nesguinha que se fosse um autocarro ainda corria a berrar que nem um louco e a bater na traseira do veículo para o motorista parar com aquela cara do ó amigo, olhe que isto não é assim, para a próxima não o deixo entrar! Pior foi, porque a saber que ia estar fora vários dias, tinha aproveitado para limpar o frigorífico e dobrar a roupa para a viagem com uma tal harmonia e perfeição que dizer que eu só estava a fazer a mala era o mesmo que dizer que o Leonardo da Vinci até tinha jeito para desenhar.

 

Mas, antes de continuar, admito já aqui, sou a pessoa mais naive à face do planeta. Só para terem uma ideia, não há muito tempo eu fazia colecção dos livros do Osho e achava que sim senhor, que profundidade!, pelo que por ter perdido o comboio ainda fiquei com a ideia que "Deus" me estava a conduzir para uma noite de grandes surpresas, como por exemplo, sei lá, ter à minha espera à porta de casa casa estava uma modelo podre de boazona que se iria declarar trememendamente apaixonada pela minha grande personalidade e prosseguir com uma refeição digna de um príncipe e uma massagem de relaxamento a culminar numa louca e apaixonada sessão de sexo selvagem. Mas se pelo menos a minha mãe ia aturar os meus maus humores com uma festa carinhosa e um copo de leite quente e bolachas, com "Deus" acabei a noite com um naco de pão seco e um copo de água da torneira porque, obviamente, tinha deixado o frigorífico vazio.

 

Alguém irá dizer-me que há coisas mais importantes com que me preocupar, como por exemplo a Rússia e a Geórgia do Sul estarem outra vez a jogar aquela coisa de ver quem quem tem o maior pénis, um jogo a que os outros países têm a mania tendenciosa de chamar guerra, e que eu devia era aproveitar a vida a cada momento. Mas com isso eu concordo. Por exemplo, podia estar agora a aproveitar a vida a ser servido uma refeição digna de um príncipe por uma modelo podre de boazona tremendamente apaixonada por mim e que iria continuar a dar-me uma massagem de relaxamento a culminar com uma louca e apaixonada sessão de sexo selvagem. Em vez disso, agora tenho de ir sacar os lençóis à mala para fazer a cama. E é a isto que chamam o amor incondicional de "Deus".

 

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publicado por Rui às 23:13
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