Sábado, 16 de Agosto de 2008

wall-e

Algumas mentes iluminadas dirão que a principal mensagem de Wall-E é deixarmos de ser tão consumistas, que se não mudarmos a sociedade capitalista em que vivemos vamos dar cabo do planeta. Uma bela moral, sim senhor, com todos os bonecos, jogos, peluches, livros, brincadeiras, lancheiras, e derivados, que o raio do robot já estava a vender ainda antes de estrear.

 

Iniciei com esta observação sarcástica para tentar fazer passar despercebido o facto de me ter emocionado tanto com Wall-E que quase chorei na sala de cinema. Rectifico, por mais do que uma vez senti as lágrimas nos olhos e tive de fazer o esforço para não me meter aos soluços, porque estava rodeado de gente desconhecida que ficariam a olhar para mim com aquela cara, vocês sabem, aquela cara, de que gajo mariquinhas, mais valia ter ficado em casa se era para vir para aqui choramingar. Não sou um crítico de cinema, mas enquanto a maioria dos filmes me deixa com vontade de esmurrar os personagens com a parvoíce de frases feitas e péssimos diálogos que soltam, Wall-E reduz o falatório a quase nada, e é uma boa coisa que esta malta da Pixar tenha os horizontes um bocadinho mais alargados que a maioria, caso contrário o filme teria acabado com algo tão cool quanto o Wall-E a impressionar a EVE com uma dança de hip-hop e um boné virado para o lado. Não é que a história seja um assombro de originalidade, aqui temos ainda mais um planeta Terra pós-apocalíptico e a ser abandonado depois de termos feito toda a caca possível, mas estou disposto a perdoar toda e qualquer incongruência e banalidade, porque o filme se apresenta tão bem. É como aquela criança que conhecemos, filha, sobrinha ou afilhada, que solta aquelas pérolas de sabedoria infantil próprias de quem ainda vai aprender muuuuito na vida, e de vez em quando parte alguma coisa que não devia, mas a quem perdoamos porque é tão irresistivelmente adorável.

 

Claro que após sair da sala, o meu cínico e retorcido coração começou a racionalizar que lá por o Wall-E estar todo apaixonado pela Eve, ela iria dar-lhe a conversa do melhor amiguinho e acabar com um robot ainda mais high-tech e muito pior carácter, que a Humanidade ter regressado à Terra era uma péssima história porque eram agora uma cambada de gordos balofos que nem força tinham para se levantar da cadeira, quanto mais cultivar um planeta inteiro, que mais do que uma ideia foi roubada ao "2001 - Odisseia No Espaço", da banda sonora ao vilão do filme. Mas desta vez esqueço isso, quando recordo que por mais do que uma vez senti as lágrimas nos olhos e tive de fazer o esforço para não me meter aos soluços. E por vezes por cenas tão simples como esta.

 

 

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publicado por Rui às 16:01
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1 comentário:
De Nuno a 21 de Agosto de 2008 às 22:07
A minha alma está parva... Se é assim tão emocionante, é melhor ficar por casa para não me confrontar com "aquela cara"!

Por acaso, de tantos trailers e making of que vi, fiquei com a ideia de que não tem grandes diálogos, e que o filme tem uma linguagem muito própria, que refresca e que só joga a favor da Pixar, que deve ter tomado notas para não se tornar em mais uma Disney que usava e abusava das fórmulas do seu patriarca e acabou por se "extinguir". Mas chega das minhas pseudo-críticas...

Um abraço!


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