Domingo, 19 de Outubro de 2008

MMS #2 - A Dança Do Créu

Vou aqui penitenciar-me do facto de por vezes ficar a ver o wrestling na SIC Radical, e dou-vos um momento de pausa para se levantarem da cadeira depois de terem caído ao chão com a revelação, porque embora não chegue ao ponto de saber quantos combates o Triple H teve contra o Undertaker, não deixo de achar uma injustiça que o Jeff Hardy nunca tenha ganho o título da WWE. É a sabedoria popular quem o diz, todos temos prazeres culpados, mas a sabedoria popular também choraminga que quem não arrisca não petisca e depois contradiz-se por completo ao barafustar como mais vale um pássaro na mão do que dois a voar, pelo que se calhar a sabedoria popular não é assim uma velhinha sábia e de óptimos conselhos, mas uma daquelas paranóicas que se está sempre a meter onde não é chamada e que diz coisas como "eu nem lhe conto nada!". Isto de reconhecer quando erramos parece-me assim coisa importante, mais que não seja para não voltar a repetir coisas como a dança daquela música do Iran Costa para lá de parva que fez um sucesso ainda mais para lá de parvo há alguns anos atrás, porque aposto que se começar a cantarolar aqui "é o bicho, é o bicho, vou-te devorar", a vossa mente, num daqueles tiques, irá continuar "crocodilo eu sou!". Apenas a admitir isso é que podemos ter esperança em não voltar a cair no buraco, como "A Dança Do Créu".

 

"A Dança Do Créu" foi-me apresentada numa dolorosa noite como "é pá, esta merda é a pior música de sempre!, é que não dá hipótese!", e durante três segundos duvidei se quem me dizia aquilo não seria um daqueles psicóticos que compram o 24 Horas a achar que é um jornal, porque com o nível de gente como os Meat Loaf garante que o título de pior música de sempre não pode ser passado assim, como se fosse a intimidade de uma das meninas da variante de Cacia em Aveiro. Mas apenas por exactos três segundos, porque bastou o primeiro "Créééééuuuu!" para perceber que estava perante algo que, ao bater no fundo tinha começado a escavar, um profundo estudo rítmico e estrutural que procurou perceber, com genuíno esforço, tudo o que faz uma música má e oferecer ainda pior, voz de cana rachada, refrão brejeiro, coreografia inenarrável, e em especial, a ficar na cabeça. Ó sim, a ficar na cabeça! Não pensem que depois de ouvirem, não vão começar a trautear "prá dançá créu tem qui tê dedjicação! Prá dançá créu tem qui tê habilidadji!", porque vão. Ao outro poeta, enjoavam as tendências politicamente correctas e bradava que o ser humano também é feito do errar, do cair, do falhar, do ser genuinamente mau. Nesse caso, meus senhores, orgulhemo-nos: nunca fomos tão humanos.

  

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publicado por Rui às 21:46
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