Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

assim dos jogos, parte i...

Ter elevado o aparentemente banal acto de validar o cartão nas cancelas do metro de Lisboa à categoria de arte não tem, estranhamente, causado admiração e fascínio da sociedade. Qualquer um despacha o cartão pelo sensor, mas o que faço, reflectido, ponderado, estruturado e executado, raia o divino, de tão perfeito. A velocidade a retirar o cartão do bolso, o número de dedos que o seguram e a posição dos mesmos, o ângulo de colocação em relação à abertura óptica, o brevíssimo compasso de espera após as portas se abrirem, como quem saboreia cada instante de estar vivo, é prova que Deus existe e que se manifesta nas acções do Homem. Mas não, ninguém quer saber disso, querem é saber se prefiro PES ou Fifa, e ficam com aquela cara, como se eu fosse um monge celibatário a entrar pela mansão da Playboy, quando respondo que os dois são igualmente entendiantes. Há demasiados botões por ali, um para o remate de perto, outro para o de longa distância, ainda outro para passe curto, longo, finta, drible, sprint, desmarcação, e isto só quando se está ao ataque, porque é passar à defesa e o mecanismo inteiro muda. Ainda há pouco tempo participei num torneio de um qualquer desses dois, ainda por cima nem os distingo se não olhar para a capa, e passei pelos típicos embaraços de carregar sempre no botão que muda o jogador e quando penso que vou recuperar a bola e iniciar um fulgurante contra-ataque, estou perdido no meio-campo como um bezerro desmamado, ou quando em frente à baliza me preparo para um delicado e poético toque por baixo das pernas do guarda-redes, e estou antes a mandar uma daquelas sardas para a bancada como a que o Dimas do Benfica mandou uma vez contra o Boavista que deixou KO um espectador. Sei que foi o Dimas, mas não tenho a certeza que tenha sido contra o Boavista, a única coisa que qualquer pessoa recorda da equipa do Boavista da década passada é que tinha um jogador chamado Bóbó, que era muito negro e que tinha uma cabeça mesmo grande. Era o número sete, bem me lembro, mas fez mais pelas gracinhas fáceis de cariz sexual do que pela história do futebol.

 

continua...

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publicado por Rui às 09:42
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