Sexta-feira, 14 de Novembro de 2008

Toca e Foge...

Ela encaminhou o cabelo para trás de uma orelha e deixou os dedos a brincar às escondidas nas pontas negras que lhe abraçaram o pescoço. Os seus olhos não conseguiam fugir do cárcere dos olhos dele. Doce prisão, com laivos de pimenta e sal, que arranha a garganta quando se engole mas que não se consegue evitar de engolir.

Sentados um em frente ao outro, arremessavam conversa fora, às vezes falando de banalidades, só por desejo de nunca terminar aquele contacto.

Ela inclinava-se sobre a mesa, de vez em quando, com a agreste certeza de que aqueles olhos masculinos lhe caíam no decote. E ela adorava. Não usava tal trunfo sempre, mas sentia um tremor, uma coisa quase imperceptível na voz dele quando o fazia. E sabia perfeitamente que o desejo vinha daquele homem que, por sua vez, se alimentava do seu. Quase sentia o pensamento dele rastejar por dentro da sua roupa, quente, com a vontade e curiosidade de encontrar mais um lugar proibido, mais um arrepio escondido. Se bem que por enquanto, por esta altura, qualquer toque de joelhos por baixo da mesa era o suficiente para a fazer tremer baixinho. Ela não conseguia evitar morder os lábios ao imaginar-se despedir os joelhos um do outro, abrir as pernas, sim!, sentir o interior das suas coxas encherem-se com o corpo dele. Queria agarrá-lo todo para si, inteiro, apertá-lo com força, transpirar nele, queria se sentir suja com ele, suja por ele, quase que lhe escapava um gemido abafado.

E ela sabia que ele conseguia ler-lhe cada milímetro de pensamento. Palavrões suados incluídos...

Aquela mesa entre eles era um frágil portão que os impedia, temporariamente, de invadir o templo um do outro, quebrando tudo, derrubando santos de altar em mil pedaços, espalhando incenso pelo chão, pintando os seus corpos com cinza e suor...

Tão deliciada e cansada andava ela de o olhar por onde se cruzavam... Sorrisos deixados no ar com dedicatória que ele depois apanhava e retribuía com ar maroto que sabia que a fazia soltar um suspiro emudecido por anéis em dedos anelares...

publicado por Luís às 23:23
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