Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

valha-nos são pedro

Prometido que foi não escrever durante alguns dias, há polémicas que não podem ser deixadas em claro, e se até Pedro traiu o Jesus por três vezes, o Universo não me vai castigar por uma transgressão. Ou acho eu que não vai, já se sabe que nestas coisas divinas não há lugar a grande razão, lógica ou intuição. Tenho vindo a perceber a imensa e cada vez mais urgente necessidade de um decreto-lei, ou portaria, ou outra dessas ferramentas legislativas das quais não percebo nada, e se um decreto-lei será assim tão diferente de uma lei, que regule a exposição e temperatura dos micro-ondas. Acontece, derivado de diversos factos da minha vida que são absolutamente fascinantes e que não me darei ao trabalho de descrever de modo a que a vossa imaginação os faça ainda mais espectaculares, ver-me forçado a lidar com diversos desses aparelhos ao longo do dia e dos dias, e tenho denotado um padrão caótico segundo o qual os números expostos na consola, sendo iguais, não correspondem a respectivas capacidades de aquecimento e descongelamento. Dois minutos a oitecentas unidades de energia num primeiro aparelho não resulta na mesma situação num segundo aparelho. O primeiro deixa a sopar a ferver e a mim a soprar feito parvinho para a arrefecer e a pensar se terá mesmo algum fundamento científico isso de soprar para arrefecer a comida, ou será uma daquelas parvoíces que nos dizem enquanto crianças e que não conseguimos deixar de acreditar, e é por isso que ainda hoje me recuso a passar por debaixo de escadas. Já o segundo aparelho deixa a comida gelada e com aquela consistência gelatinosa, ou diria mesmo, nhanhosa!, extremamente desagradável ao toque da língua, e isso só por si faz-me reflectir profundamente se dois minutos a oitocentas unidades de energia serão equivalentes a  oito minutos em duzentas unidades de energia, como as boas regras matemáticas ordenam. Há regulamentos específicos para a capacidade de descarga dos autoclismos e a extensão e textura dos respectivos sifões, não há desculpa para não se regular este tipo de questão, que me parece tão ou mais premente que a avaliação dos professores, uma questão da qual, aliás, não me consigo afastar, mas isso só porque vivo mesmo ao pé do Ministério da Educação e ultimamente não há dia em que não acorde  com os megafones ou as cantigas retiradas do best of do Zeca Afonso. A moral em tudo isto é que Pedro cortou a palavra que tinha dado a Cristo, e por três vezes o atraiçoou até que o galo cantasse, e nem por isso deixou de ser agraciado com a chave dos portões do Céu e a capacidade de controlar o tempo. Se Pedro fez uma suprema caca dessas e ainda saiu a ganhar, ao cortar a minha palavra deixando uma elaborada e intricada reflexão de uma das mais prementes e exigentes questões da actualidade, fico à espera para ver o que me sai na rifa divina. Qualquer coisa menos que super força e voar, Deus, e fico extremamente chateado.

 

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publicado por Rui às 22:00
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