Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

ensaio sobre a cegueira

Há duas razões que me impedem de ver filmes de terror, e a primeira, e principal, é eu ser um mariquinhas que não pode ver imagens impressionáveis sem ficar com pesadelos, um facto comprovado a partir do momento em que vi "A Mosca" e fiquei sem sono durante semanas, e a segunda é não conseguir deixar de associar esse género de filmes à cambada que sai do cinema a dizer coisas como "viste aquela cena em que a cena do gajo arrebentou e espalhou as cenas do gajo pela cena toda, que altamente!" e "iá, man, e aquela cena em que, tipo, as tripas do gajo ficam todas explodidas e o gajo sai com elas a rastejar pelo chão e, man, que, tipo, demais, man!", quando é óbvio que se algum dia virem à frente órgãos humanos a rastejar para fora do corpo vão a correr para as saias da mamã. Pode ser preconceito meu, porque sempre que me encontro numa fila de cinema e a sessão na sala ao lado estiver a terminar um "Saw" ou um "Hostel", é certo que um punhado destes espécimes irão sair no cenário acima descrito, enquanto trocam murros e se riem entre grunhidos.

 

"Ensaio Sobre A Cegueira", filme do qual não vou fazer resumo, assumindo antes que todos os nossos leitores nasceram nesta dimensão e não estiveram em suspensão criogénica nos últimos quatrocentos anos e portanto já sabem quem escreveu e do que trata, é o género de filme que não deverá atrair grunhos da vida, primeiro porque faz a tensão e o medo sem bicharocos feios a decepar jovens meninas que inexplicavelmente ficaram com os seios desnudados, mas do sujo e decadente da espécie humana, aquele recanto podre da alma que nos faz acordar aterrorizados a meio da noite e rezar que a madrugada chegue rapidamente, e depois porque visualmente é imaginativo e perturbante o suficiente de vez em quando nos desviarmos do ecrã, e juro que saí da sessão a piscar os olhos como se a confirmar que não ia começar a ver tudo num mar de branco leite.

 

Não li a obra literária, pelo que não pude realizar o meu passatempo preferido nestas ocasiões, i.e., choramingar como o livro é muito melhor e como aquele personagem nunca faria aquilo, mas parece que o próprio Saramago aprovou o filme com palmas e uma lágrima no olho, pelo que deverá estar muito próximo do livro, o que para mim é o suficiente e me deixa a acumular baterias para aquela que promete ser a suprema ocasião para falar mal de adaptações literárias ao cinema, "Watchmen". Em especial quando saírem a grasnar como "o rorshcach é demais, viste aquela cena em que ele partiu o dedo ao outro manaço, que demais, meu!

 

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publicado por Rui às 18:55
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