Sábado, 14 de Fevereiro de 2009

jcvd

Costumam perguntar-me o que acho do Dia dos Namorados. É fácil, quando estou comprometido choro o Amor como o melhor do mundo e esse dia como a celebração máxima de um sentimento tão lindo, e quando estou descomprometido, fico deitado na cama em posição fetal a ranhosar que é tudo uma invenção da sociedade capitalista.

 

Ficar em casa no dia de S. Valentim é que pode ser uma opção, quando este mês fui oficialmente considerado à condição de pobre. O Banco Mundial considera a linha de pobreza, na América do Norte e na Europa, abaixo dos doze euros diários, e devido a uma intricada mudança de emprego, percebi no passado dia três que estava com menos de metade desse valor, por dia, até ao final do mês.

 

Percebi que teria de deixar pequenos luxos, como comprar um livro ou jantar fora. Algumas mentes iluminadas argumentam que a pobreza também é de cultura, mas esses vastos e profundos intelectos podem ir enfiar garfos debaixo das unhas, porque abrir o armário e não ver pão é quando os sofrimentos de Schoppenhauer e as aventuras do Super-Homem saem a voar janela fora. No início desta semana cometi a loucura de ir jantar fora, e desembolsar cinco euros por um esparguete ressequido e uma água bolorenta foi quando tive ganas de enfiar o garfo, um daqueles de plástico branco que se parte à primeira tentativa de os espetar, por debaixo das unhas, ou qualquer outra coisa que fizesse esquecer a dor na carteira.

 

É para colmatar o facto de o novo filme do Neil Gaiman ou o Blue Man Group ficarem em stand by que tenho retirado muitos filmes da Internet. Contavam-se pelos dedos de uma mão os filmes dos quais tinha feito o download ilegal, o Resgate Do Soldado Ryan, o Odisseia No Espaço, aquele da lua-de-mel da Pamela Anderson, e mais um ou outro.

 

Foi uma surpresa que nos downloads desta semana viesse o Van Damme com um bom filme. Há certezas supremas na vida, que a Morte aguarda a todos, que os impostos sobem, que nos filmes do Van Damme há uma esparregata sem nenhum propósito. Mas neste não havia pernas abertas, nem fileiras de maus a serem despachados a pontapés rotativos. É uma história de drama e comédia, em que um actor perde a custódia da filha, e quando percebe que vai entrar em bancarrota, dirige-se ao banco no exacto momento em que decorre um assalto, com uma série de confusões a chegarem quando a polícia pensa que é o próprio Van Damme o culpado. Visualmente é interessante o suficiente para brilhar, tem alguma profundidade quando se percebe que o personagem não vai ganhar as batalhas em que está enfiado, e há uma sequência de quase dez minutos em que o actor apenas faz um monólogo pessoal de como não alcançou nada na vida, mesmo sendo uma estrela. Não é desempenho que lhe vá garantir um papel no próximo Batman, mas é um avanço considerável para quem o máximo que se reconhecia era a capacidade de abrir as pernas até que os testículos tocassem no chão.

 

publicado por Rui às 00:17
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1 comentário:
De Lia a 14 de Fevereiro de 2009 às 15:14
Engraçado, aqui onde eu estou hoje não é dia dos namorados! Remédio santo para não passar por esse dia, ir viver para o outro lado do mundo!


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