Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

intenções

Tenho para mim que a extinção do Jornal da TVI revelou uma péssima péssima opção por parte dos gestores responsáveis, claramente a opção mais brilhante seria se nunca tivesse começado, e eventualmente se aquela tal apresentadora tivesse sido atirada para um tanque de óleo a ferver. Há quem defenda que, a liberdade de expressão!, e oh, o direito à informação!, mas de certeza que não me defendem a mim, como devia ser da sua mais gritante preocupação, porque toda a cultura de desinformação, factos retorcidos e notícias para pobrezinhos que a demitida apresentadora assumia tem levado uma preocupante fatia da população portuguesa a acreditar que a complexidade dos relacionamentos sociais e oficiais pode ser resumida a meia dúzia de banalidades - e, a demonstrar como Deus me odeia e quer fazer da minha vida um inferno, toda essa fatia da população portuguesa escolhe ser cliente da empresa onde trabalho.

 

É essa empresa que num único contacto pode ter de lidar com situações de natureza jurídica, financeiras e de saúde, e reconhecendo como podem ser questões tão delicadas, acabo sempre, com toda a simpatia, inteligência e beleza que me são características, a (tentar) demonstrar com superior capacidade como a estrutura da Sociedade não pode ser restringida aos caprichos de um mero indivíduo, o que por sua vez pode derivar numa série de ramificações que podem, é um facto, lixar a vida a um gajo. Se reflectia eu que tão considerável esforço seria agradecido com um agradecimento sincero, acabo a levar com os "eu sei quais são os meus direitos" (não, não sabe), "estou a preparar uma reclamação para a DECO!" (prepare, que é para ver se deixa de me chatear) e, Santo Graal das reclamações portuguesas, "eu vou à TVI!!" (se fosse para a meretriz que o pariu...), tudo isto envolto com simpáticos histerimos e profundas considerações acerca da profissão isenta de impostos da minha saudosa mãe.

 

Felizmente que esta nossa televisão tem particular característica, pela qual nutro especial apreço, de anunciar uma birra política como sendo a próxima vinda do Galactus, para duas semanas depois essa mesma birra acabar reduzida a pouco mais que um flato, mal-cheiroso, com certeza, mas inofensivo. Ainda assim, é necessário perceber a influência que essa pequena caixa consegue alcançar, bastando referir, numa citação tão genial que torna ainda mais surpreendente perceber que não foi escrita por mim, como torna a ditadura impossível e a democracia insuportável. Além disso, eu vi o Robocop quando ainda andava na escola primária e fiquei tão traumatizado com o raio da violência no filme que ainda hoje estava a ver o Dr. House e bastou aparecer o actor que fazia de chefe dos maus que matam o gajo que depois se torna o Robocop para eu ficar todo arrepiado. E isto também pode lixar seriamente a vida a um gajo.


Giro, giro, é isto da Democracia. Reparem como legitima que eu e, por exemplo, aquele gajo que manda no Banco de Portugal e que às vezes aparece nos jornais a dizer coisas profundas, como que o país só deverá sair da recessão económica daqui a dois anos, temos o mesmo nível de decisão e de capacidade para escolher quem manda nisto. Democracia é colocar a escolha tanto ao critério de alguém cujo único contributo para a Humanidade é somente a beleza de um brilho deslumbrante, quanto em alguém que sabe tanto de tanta coisa que até anda sempre de fato e gravata. E se isso me engrandece, por outro lado legitima que o Toy tem esse mesmo valor, pelo que saber o que é o ónus da prova segundo o artigo 347º do Código Civil, ou cantar, Se queres dançar, e não tens par!, Chama o António!, acaba por ser a mesma coisa. É um sistema falhado, este da Democracia, e com muitos erros, mas concedo que seja um passo errado na direcção certa. Já quando ainda era virgem, aqui há coisa de umas duas semanas, estava com ideias de  conduzir uma morena muito boa até ao meu leito, intenção na qual ela desenhou uma linha muito clara de que nem quando o Inferno congelasse iria estar com alguém sem experiência. E menti a dizer que sabia mais que o Hugh Heffner, quando mal tinha passado do patamar do miúdo que rouba a sua primeira Playboy na papelaria da esquina. Mentir não é a melhor opção, decerto, mas foi apenas, e como nisto da Democracia, por um futuro melhor. Num caso, o conduzir a Sociedade ao futuro justo e solidário que todos desejamos. No outro, um conjunto de seios. Em ambos, O Bem Superior.

publicado por Rui às 16:49
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