Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008

Era uma colonoscopia a essa malta!

 

Einstein disse que Deus não jogava aos dados com o Universo mas, com todo o respeito, estava errado. Ah, sim, lá o Clifford Will (1) pode berrar e guinchar, mas é um facto. Isto também não é baseado nas teorias do professor Stephen Hawking, que veio dizer que sim, Deus era mesmo um jogador, e um daqueles viciados que atira os dados por qualquer parvoíce. Nem é por nada, mas usar probabilidades para determinar a seguinte opção é algo que o Duas Caras (2) do Batman já fazia nos anos 50, e nunca ninguém reclamou! Estou a ver que, para o professor Hawking, a vida imita a má banda desenhada (3), o que não deixa de ser uma teoria mais interessante que a maioria. Mas, como referido, esta idiot... constatação de factos também não se baseia aqui, e se alguém argumentar que muito antes do Bloquito existir já o Universo navegava numa casca de noz (4), bem, essa gente faz parte de uma conspiração do sistema que deseja prejudicar o Bloquito (uma das melhores coisas de assistir ao futebol é aprender a disparar acusações extremamente parvas e sem pinga de lógicas às quais, todavia, toda a gente dá atenção (5)).

 

Agora, pode haver gente cujo único defeito é chorar muito com as injustiças do mundo (magnífico defeito!), mas não têm razão por isso, porque a (in)justiça não existe. Acaso o verme pisado na rua quando estamos atrasados questiona ser esmagado? A aranha chora a teia destruída por uma limpeza da casa? Os pequenos ratinhos lamentam a mãe que não aparece porque foi esmagada por uma ratoeira? A ideia do Deus que, coitadinho, é tão preocupado com a vida de cada um, é tão sensata quanto não nos livrarmos de uma praga de formigas só porque, enfim, também são seres vivos. Mas de onde veio agora esta profunda reflexão que, à semelhança de qualquer palavra do Bloquito, ameaça mergulhar as entidades e paradigmas estabelecidos num turbilhão de revolta e polémica? Terei eu reflectido profundamente na dicotomia Ocidente/Oriente que ameaça rasgar a realidade contemporânea? Teria mergulhado nos recantos mais recônditos da alma humana, numa viagem da qual o delírio, o sonho e a destruição foram constantes (6)? Estarei a ler demasiada BD? Não, o facto é que fui ao cinema.

 

Hipótese num âmbito puramente matemático: se Deus existe, porque determinou que as pessoas a sofrer de complicações intestinais levam uma colonoscopia? Acaso não sabe Ele (e sabe, porque enfim, é Deus!) que as pessoas com complicações intestinais questionam toda a vida? Deviam ter comido aquilo? Teria sido daquele caril? Talvez todas aquelas bebidas? Ou os doces, tão doces que eram? A resposta de Deus a estas pessoas em tão grande dilema existencial é (que me perdoem a crueza, mas as coisas são ditas como são) um cabo de vassoura pelo rectum adentro. Bem adentro. Se Deus existe, porque não determinou que aqueles que vão ao cinema e não sabem estar calados durante todo o maldito filme levassem com a colonoscopia? Não seria muito mais adequado, uma muito melhor gestão de recursos? Apenas o estar no cinema com a garantia que ninguém estaria a mandar bocas, bocas essas entre o altamente desnecessárias e o francamente foleiras, daria toda uma lufada de ar fresco. Mas não. O que temos é uns a levar com ela (com a colonoscopia, quer dizer), e aqueles, sossegadinhos, a desfazer a vida aos outros.

 

Grande ideia, Deus!

 

(1) autor de "Einstein Estava Errado?", no qual lança as bases para determinar a veracidade das teorias de Albert Einstein. Apesar de lançar o título como se fosse um grande mistério, daqueles que nos filmes só é resolvido nos últimos minutos e deixa toda a gente Ah!, dá a resposta no resumo na parte de trás do livro. Grande plano, Cliff;

(2) uma daquelas criações-maravilha que apenas a BD consegue, um tarado com a cara deformada que determinava o que fazer a lançar uma moeda ao ar;

(3) da citação de Woody Allen: "A vida não imita a arte, imita a má televisão";

(4) do livro de Stephen Hawking, "O Universo Numa Casca de Noz";

(5) apenas um exemplo em milhares que pululam como coelhos no cio por essa realidade alternativa que é o futebol português...;

(6) claro, de "Sandman, The Brief Lives", na qual Delírio convence Sonho a procurarem o irmão Destruição, que abandonou a família séculos antes e não voltou a ser visto.

 

Etiqueta:
publicado por Rui às 12:56
ligação | comentar
3 comentários:
De Transbordices a 22 de Fevereiro de 2008 às 23:46
Pois, neste capítulo só podemos ficar-nos pelas hipóteses, que é como quem diz, enumerar e comentar os problemas, o que já não é mau. Estou a falar desse hipotético jogo dos dados, que é como quem diz, saber se o destino está ou não previamente traçado. Em termos mais eruditos (que não é o meu caso) o problema enuncia-se através da confrontação de ideias que se oppõem nessa bipolaridade que dá pelos termos "liberdade" e "determinismo". Pelo que sei, que é muito pouco, já Leibniz, há uns tempos, acreditava ser possível desenvolver uma equação que permitia antecipar o futuro. E dedicou-se largos anos à perseguição deste objectivo. Escusado será dizer que não conseguiu. Esse mesmo Leibniz que dizia que "o bater de asas de uma borboleta pode desencadear uma tempestade brutal no outro lado do Globo terrestre". E nestas coisas é a ciência que defende a posibilidade do absoluto, já que Deus criou as suas obras no espírito democrático.

Não estou com energias suficientes para me manifestar em relação à justiça. Uma achega... Perguntar pela existência da justiça é semelhante a perguntar pela existência de Deus. Ambos são conceitos, tal como muitos outros que apenas existem na qualidade de estados mentais. Teremos que por em causa também a existência das ideias, e essa é uma tarefa que sempre ocupou os filósofos. Lembremos o realismo de Platão. Lembremos também Descarte "penso logo existo". Duas opções claramente idealistas. No que me diz respeito, penso que roubar uma velha pobre é uma situação injusta para a velha. Quando decidimos (decidimos) levar adiante uma acção que vai contra o nosso sentido pessoal de justiça estamos a ser injustos porque temos plena consciência que estamos a agir de forma errada. Ora os animais não formam conceitos, vivem estritamente do que a natureza lhes proporciona. Vivem para o instante. Não elaboram a noção de um mundo sem injustiça onde todos poderiam ser felizes. Só o homem pode alterar o curso natural da existência. Só o homem pode projectar no futuro esse ideal de um mundo sem dor e em que todos alcançarão a satisfação. Não digo que isso seja possível, apenas digo que só o homem pode imaginar e projectar uma tal ocorrência. Provavelmente, o animal irracional já vive no nirvana, ou no paraíso, ou o que quer que nos valha, precisamente porque não chora as dores do seu espírito e não guarda na memória os seus ressentimentos. No fundo, o conceito de justiça acaba por estar relacionado com o receio que todos nós temos de sofrer, o nojo... Sabemos que o sofrimento não é agradável. Claro que se não formos sádicos, não retiramos prazer da dor dos outros, essa eventualidade repugna-nos tanto como a do nosso sofrimento. Mas na verdade existem os tais casos de gente que retira prazer da dor dos outros... Chega... Desculpa lá se me estiquei. ah só mais uma coisa - porque razão é que Deus estaria preocupado com cada um de nós? Então e a liberdade? Deus até poderia estar de férias mano. Tipo, agora que estão criados, desenrasquem-se. Mas poderia ser diferente. Deus poderia ser muito trabalhador, não é? Nada do que é sem a participação de Deus em cada instante. Bolas que trabalheira... Acho que Deus não é burro, acho que ele eestá de férias e que quem joga aos dados somos nós. chega,


De Manuel Maria a 25 de Março de 2008 às 04:49
Um gajo que não tem nome, ou se o tem esconde-se atrás de um blog, só pode ser um merdas, não é? AhAhAh.
Eu se fosse a ti começava a usar cuecas de lata...AhAhAh
E porque não tentares o suicídio...sempre poupavas tempo e chatices ....Não? Pronto, calma, deixós poisar...


De Nuno a 30 de Março de 2008 às 02:43
Pá...

Não desejes assim tão mal a malta que vive os filmes e não consegue conter a verborreia de emoções transbordantes. Tenho que arranjar as supracitadas cuecas d'aço... A lata deve arranhar.

Parabéns, um ódio de estimação é coisa pra toda a vida. Dura mais que o amor, o ódio. E é pena não podermos f@d£r os que nos odeiam, pelo menos da maneira que fazemos a aqueles que nos "amam"...



Comentar post

Março 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

29
30
31


Pesquisar

 

Arquivos

Março 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Maio 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Artigos recentes

assim a modos que daquela...

coisas em que não se pens...

também é verdade

os anéis no céu

P.A.C. Man

no trabalho

emoções

à procura...

#1

intenções

RSS

:.