Domingo, 9 de Março de 2008

O Bloquito pode falar do Clube do Combate

"O Que Farei Com Este Livro?" é uma peça em exibição no Teatro Nacional Dona Maria II, da autoria de José Saramago e com a participação de muitas pessoas. Agora, a questão devia ser "O Que Farei Com Este Teatro?".

 

Sim, teatro é cultura, e cultura é a ideal que forma a identidade de um ser humano e, como tal, se torna parte integrante do ser e sentir. O que são palavras muito bonitas, mas o facto é que, de tão educado a assistir a filmes de cinema e séries de televisão, a cabeça encontra-se demasiado viciada para digerir os conceitos do teatro. Por exemplo, ainda mal a peça tinha começado e já procurava o comando para aumentar o volume. Decorridos alguns minutos, e os meus olhos esperavam que houvesse ali uma mudança de plano, que fizessem um traveling pelo cenário, que aplicassem um zoom na face dos actores para perceber melhor as emoções que passavam. Mas nada disso. Actores esses que, de resto, até surpreenderam: muitos deles reconheci das novelas da TVI, e considerava-os a todos execráveis, para não usar palavras mais feias. Mas são apenas actores de teatro, onde a dramaticidade das palavras e a ausência de grande expressividade são algumas das regras, que depois não se aplicam ao mundo televisivo. É caso para dizer que em Portugal ainda não existem actores de televisão, apenas actores de teatro que transitaram para outros meios.

 

Pelo menos o preço do bilhete foi acessível, uns diminutos dez euros se comparados aos sessenta e cinco que paguei pela bode... pelo musical do Cats. Não tão acessível quanto a capacidade necessária para perceber toda a peça, que versava "Os Lusíadas", a história de Portugal, as tramas entre a Corte e a Inquisição, tudo misturado por entre críticas à actual sociedade lusa. É bom relembrar que o autor da peça, José Saramago, é daqueles que gostavam que Portugal fosse parte da Espanha, uma posição muito corajosa quando, como diz Ricardo Araújo Pereira, nem os espanhóis querem ser espanhóis - os galegos não querem ser espanhóis, os catalães não querem ser espanhóis, e por aí adiante. E depois, sobeja a fatal pergunta: "E aí, gostou da peça?". Bem, com ou sem profundas reflexões, o facto é que houve um momento por ali em que adormeci durante alguns segundos. Até teria ficado envergonhado, não fosse o facto do homem em frente ter ressonado que nem um trombone durante largos minutos.

 

P.S.: de qualquer maneira, a peça que se segue fez muito mais para ensinar de ópera e música clássica que qualquer veadice de um prémio Nobel. Para quem se possa perguntar, não, "O Barbeiro De Sevilha" não começa as suas letras com "How do! Welcome to my shop! Let me cut your mop! Let me shave your crop!... Tenderly! "

 

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publicado por Rui às 13:25
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2 comentários:
De Luís a 11 de Março de 2008 às 11:46
Pois... foste logo meter-te em "morangadas"... Eu fui ver a "Dúvida" com a Eunice Muñoz e o Diogo Infante... Bem jeitoso, só digo. Sem exagero sagitariano, nem me lembrei que estava numa peça. Bocejo em filmes de "tiros e bombas e socos nas trombas" muito mas muito mais... Diálogos muito bem escritos...


De Rui a 11 de Março de 2008 às 14:06
É, aí concordámos que talvez a escolha da peça não fosse a melhor, até por ter um toque coloquial excessivo (era difícil acompanhar os diálogos) e com quase três horas de duração. Para a próxima vou ficamos pelo Orfeu e Euridice.


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