Terça-feira, 11 de Março de 2008

O Bloquito conhece o verdadeiro segredo da Ilha do Macaco

O ex-inspector da Polícia Judiciária, Barra da Costa, um dos mais proeminentes Maddieólogos da sociedade contemporânea, lançou um livro a falar do desaparecimento de Maddie McCann e pelo qual é um escândalo não ter ainda ganho o Pulitzer. A partir do desaparecimento da criança, desenvolve um novelo que começa pelo clima de terror pós 11 de Setembro, a descambar por entre chips corporais, até admitir que muito mais não falta para a escravidão total da humanidade. Um escândalo que, até com o Pulitzer, Barra da Costa não tenha também já amealhado o Hugo e o Nebula. Mas se calhar é pirraça minha: escrevi aqui um relato assim meio alucinado sobre o futuro do mundo com o rapto de Maddie e julguei que qualquer um percebia a piada. Parece que não só não percebem, como até lançam livros sobre isso.

 

Mas como profundo e multifacetado autor que é, vai ainda mais longe e mostra revolta contra a exploração da imagem da criança, bem como de todos aqueles que dela se aproveitam. Com a quantidade de vezes que Barra da Costa esteve na televisão a falar de Maddie e agora a lançar livros, uma atitude destas podia ser entendida como hipócrita, mas tenho uma mente aberta: ao enojar-se com a figura daqueles que se aproveitam de Maddie, o autor admite, num exercício de rara metáfora e sensibilidade, que se enoja de si próprio, que lhe mete asco e repúdio a sua figura, um nojo que não estará, talvez, longe daquele que Gregor Samsa sente ao acordar por uma certa manhã. Com tal dedilhar das meneios literários, é um escândalo que Barra da Costa não tenha já ganho o Nobel da Literatura!

 

Mas mais ainda! Num revoltear que garante, sem sombra de dúvidas, que forças existenciais pairam acima de todos nós, Barra da Costa junta, no seu nome, o nome de duas das mais proeminentes praias nacionais, a Barra e a Costa Nova, em Aveiro. Ora, e não foi justamente numa praia que uma certa criança inglesa desapareceu, permitindo a BArra da Costa a sua escalada fulminante pelo panteão das grandes figuras literárias e artísticas do séc. XXI? Há gente assim, marcada, desde o nascimento, para o êxito. Um escândalo, que não tenha já ganho o Óscar de melhor nome de autor!

 

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publicado por Rui às 19:32
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