Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

Um hooligan, sempre um hooligan

Quem acompanha o Bloquito desde o início, i.e., ninguém, sabe que sou um fanático por futebol, um hooligan da bola, um fanático obnubilado pelo esférico. "Ah, sim, porque o futebol é mesmo um jogo apaixonante!", e blá blá blá. Quem é que quer saber do jogo? O futebol é apaixonante, isso sim, na exacta medida em que permite chatear um impressionante número de pessoas. O Benfica ganhou? Chateio os sportinguistas. O Sporting ganhou? Chateio os benfiquistas. O Porto ganhou? Chateio toda a gente. O que me permite ter um carinho muito especial pelas gentes do Norte: não só me permitem chatear muito mais gente, como nos últimos anos me têm permitido chatear muito mais que os seus congéneres de Lisboa.

 

E se é fácil! Nada de profundas técnicas argumentativas para tirar os adeptos da bola do sério, nem complexos planos de irritação ou horas a tirar exemplos do último episódio do dr. House. Não, basta um hino. O Sporting ganhou ao Benfica? É entrar no local de trabalho com um "Rapaziada, ouçam bem o que eu vos digo, e gritem todos comigo, viva o Sporting!", e metade da sala está a ferver. O Sporting perdeu contra qualquer clube? É entrar também com um "Rapaziada, ouçam bem o que eu vos digo, e gritem todos comigo, viva o Sporting!", e a outra metade da sala ferve. O Porto ganhou (outra vez) o campeonato? Um "Allez, Porto, allez, tu és a nossa força, queremos essa vitória, conquista-a para nós!", e está toda a sala a ferver. E se isto é versátil! Lisboa está inundada por escoceses, que se enfiam nas esplanadas a emborcar pints (percebe-se que são escoceses porque só eles é que se metiam nas esplanadas com estas chuvadas), gentes do Glasgow Rangers que joga hoje contra o Sporting. Agora, imagine-se que os lagartos conseguem uma vitória, é algo que não me levanta uma sobrancelha. E se perdem? Um fabuloso "We are the Glasgow Rangers!" é quanto basta.

 

Há quem não compreenda, claro. Já me disseram que não é assim, tenho de torcer pelo meu clube, e blá, blá, blá! Bem, deixando para lá o facto de eles não torcerem absolutamente nada por mim - já acompanhei em entrevistas uma ou outra gente da bola, e garanto, aquilo é malta que, apesar de ser um dos autores do Bloquito, gritaram histericamente quando entrei na sala? Pediram-me alarvemente autógrafos para um dia venderem a muitos milhões? Berraram-me para deixar de ser um malandro e correr a escrever artigos? Não! - vou tentar não ser preconceituoso. Ora, sou de Aveiro, cidade do Beira-Mar. Porque é que hei-de torcer por um clube do qual nem os presidentes querem saber? No dia em que me explicarem isso, estarei com um cachecol amarelo e preto, a berrar "beira beira (hmmm, espera lá, como é que é esta coisa, avante, qualquer-coisa-qualquer-coisa... ah, deixem lá!)".

 

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publicado por Rui às 18:01
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