Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

armário de água

Algumas semanas afastado e fui surpreendido com a quantidade de mensagens na caixa de correio a perguntarem quando é que o Bloquito(s) ia ser actualizado: absolutamente nenhuma. Se essas mensagens existissem, iam perguntar o porquê de estar afastado, se estava tudo bem, se desejava um copo de leite com bolinhos para afagar o ego, ao que eu iria responder que me tinha afastado para reflectir uma temática de inacreditável e complexa riqueza social e psicológica, i.e., o momento em que entro numa casa de banho pública, vulgo W.C., e tenho a certeza que noventa por cento das pessoas à face deste país não fazem a mínima ideia que são as iniciais de Water Closet, para o acto de micção.

 

Todos conhecemos a realidade dos W.C. masculinos públicos, e estou apenas a falar ao público masculino, não por preconceito que as meninas não conheçam esta intricada faceta do Universo , mas porque há muito que abandonei a esperança que membros do sexo feminino frequentassem este espaço, uma realidade que para o efeito se pode resumir de uma maneira muito simples: uma fileira de urinóis, nas quais procedemos à micção. O problema, e foi isto que me forçou a afastar para profunda reflexão, começa quando ali estou e, reparem que apesar de estarem disponíveis vários urinóis, todos eles vazios, entra alguém que se vem colocar mesmo ao meu lado. Não o mais afastado possível, como seria provavelmente de esperar e francamente de desejar, mas mesmo ao lado, a uma distância tão reservada que qualquer taradice lhe passe pela cabeça, estou desprotegido. Se espreitar, o máximo que posso fazer é um olhar na linha do ó, meu amigo, mas que vem a ser esse excremento?!, o que nem vai reparar porque está tão ocupado a deliciar-se. Se resolver usar as mãos para me azucrinar a cabeça, o máximo a fazer é recorrer ao pontapé, o que me vai fazer perder o equilíbrio e de certezinha atirar a chuva dourada para onde não deve.

 

Conta-se que há quem tenha desenvolvido a capacidade de micção apoiada a uma só mão justamente para enfrentar estes casos, mas isso parece-me um daqueles mitos urbanos, tipo aqueles que centenas de pessoas insistem em enviar-me para o e-mail, como se alguma vez fosse possível o Bill Gates andar a distribuir riqueza pela Internet, viver a vida a cada momento, ou urinar a uma só mão. Micção de postura erecta faz-se a duas mãos, todos o sabem. Podia referir o sarcasmo de certos espertinhos, quando existem apenas três urinóis e eles metem-se mesmo no do meio, impedindo quem vem a seguir, se tiver um mínimo de bom senso, de usar o espaço. Ou, outra, no metro de Lisboa, que tem a mania de junto às portas meter bancos de três lugares, o que resulta, quando as pessoas ocupam as duas pontas, eu sento-me no meio, até aí tudo bem. O problema vem, claro, porque logo na paragem seguinte uma delas sai, deixando-me feito parvo muito juntinho a alguém que não conheço de lado nenhum. E agora, fico a levar com aquela cara de quem entra e me vê naqueles lindos preparos, ou mudo-me para a ponta desocupada e arrisco-me a que o outro seja um tarado psicopata e arme uma cena a berrar a que propósito é que eu mudei de lugar, se ele tem sarna ou o camandro! Há muito mais nos urinóis e nos lugares do metro que sonha a vã filosofia.

 

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publicado por Rui às 20:03
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Sábado, 16 de Agosto de 2008

wall-e

Algumas mentes iluminadas dirão que a principal mensagem de Wall-E é deixarmos de ser tão consumistas, que se não mudarmos a sociedade capitalista em que vivemos vamos dar cabo do planeta. Uma bela moral, sim senhor, com todos os bonecos, jogos, peluches, livros, brincadeiras, lancheiras, e derivados, que o raio do robot já estava a vender ainda antes de estrear.

 

Iniciei com esta observação sarcástica para tentar fazer passar despercebido o facto de me ter emocionado tanto com Wall-E que quase chorei na sala de cinema. Rectifico, por mais do que uma vez senti as lágrimas nos olhos e tive de fazer o esforço para não me meter aos soluços, porque estava rodeado de gente desconhecida que ficariam a olhar para mim com aquela cara, vocês sabem, aquela cara, de que gajo mariquinhas, mais valia ter ficado em casa se era para vir para aqui choramingar. Não sou um crítico de cinema, mas enquanto a maioria dos filmes me deixa com vontade de esmurrar os personagens com a parvoíce de frases feitas e péssimos diálogos que soltam, Wall-E reduz o falatório a quase nada, e é uma boa coisa que esta malta da Pixar tenha os horizontes um bocadinho mais alargados que a maioria, caso contrário o filme teria acabado com algo tão cool quanto o Wall-E a impressionar a EVE com uma dança de hip-hop e um boné virado para o lado. Não é que a história seja um assombro de originalidade, aqui temos ainda mais um planeta Terra pós-apocalíptico e a ser abandonado depois de termos feito toda a caca possível, mas estou disposto a perdoar toda e qualquer incongruência e banalidade, porque o filme se apresenta tão bem. É como aquela criança que conhecemos, filha, sobrinha ou afilhada, que solta aquelas pérolas de sabedoria infantil próprias de quem ainda vai aprender muuuuito na vida, e de vez em quando parte alguma coisa que não devia, mas a quem perdoamos porque é tão irresistivelmente adorável.

 

Claro que após sair da sala, o meu cínico e retorcido coração começou a racionalizar que lá por o Wall-E estar todo apaixonado pela Eve, ela iria dar-lhe a conversa do melhor amiguinho e acabar com um robot ainda mais high-tech e muito pior carácter, que a Humanidade ter regressado à Terra era uma péssima história porque eram agora uma cambada de gordos balofos que nem força tinham para se levantar da cadeira, quanto mais cultivar um planeta inteiro, que mais do que uma ideia foi roubada ao "2001 - Odisseia No Espaço", da banda sonora ao vilão do filme. Mas desta vez esqueço isso, quando recordo que por mais do que uma vez senti as lágrimas nos olhos e tive de fazer o esforço para não me meter aos soluços. E por vezes por cenas tão simples como esta.

 

 

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publicado por Rui às 16:01
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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

perdi o comboio

Uma teoria popular é a de um ser todo-poderoso, a que podemos chamar "Deus", que cuida de nós porque nos ama muito e para sempre, mas em nenhum momento esta teoria se revela mais disparatada que quando perco o comboio. Repara, "Deus", e o nome entre aspas deve ser lido naquele tom sarcástico que só uma mulher irritada sabe utilizar, não estou a falar em perder o comboio por um intervalo de tempo tão parvo que era óbvio que nem devia ter saído de casa, mas por aquela nesguinha que se fosse um autocarro ainda corria a berrar que nem um louco e a bater na traseira do veículo para o motorista parar com aquela cara do ó amigo, olhe que isto não é assim, para a próxima não o deixo entrar! Pior foi, porque a saber que ia estar fora vários dias, tinha aproveitado para limpar o frigorífico e dobrar a roupa para a viagem com uma tal harmonia e perfeição que dizer que eu só estava a fazer a mala era o mesmo que dizer que o Leonardo da Vinci até tinha jeito para desenhar.

 

Mas, antes de continuar, admito já aqui, sou a pessoa mais naive à face do planeta. Só para terem uma ideia, não há muito tempo eu fazia colecção dos livros do Osho e achava que sim senhor, que profundidade!, pelo que por ter perdido o comboio ainda fiquei com a ideia que "Deus" me estava a conduzir para uma noite de grandes surpresas, como por exemplo, sei lá, ter à minha espera à porta de casa casa estava uma modelo podre de boazona que se iria declarar trememendamente apaixonada pela minha grande personalidade e prosseguir com uma refeição digna de um príncipe e uma massagem de relaxamento a culminar numa louca e apaixonada sessão de sexo selvagem. Mas se pelo menos a minha mãe ia aturar os meus maus humores com uma festa carinhosa e um copo de leite quente e bolachas, com "Deus" acabei a noite com um naco de pão seco e um copo de água da torneira porque, obviamente, tinha deixado o frigorífico vazio.

 

Alguém irá dizer-me que há coisas mais importantes com que me preocupar, como por exemplo a Rússia e a Geórgia do Sul estarem outra vez a jogar aquela coisa de ver quem quem tem o maior pénis, um jogo a que os outros países têm a mania tendenciosa de chamar guerra, e que eu devia era aproveitar a vida a cada momento. Mas com isso eu concordo. Por exemplo, podia estar agora a aproveitar a vida a ser servido uma refeição digna de um príncipe por uma modelo podre de boazona tremendamente apaixonada por mim e que iria continuar a dar-me uma massagem de relaxamento a culminar com uma louca e apaixonada sessão de sexo selvagem. Em vez disso, agora tenho de ir sacar os lençóis à mala para fazer a cama. E é a isto que chamam o amor incondicional de "Deus".

 

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publicado por Rui às 23:13
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Terça-feira, 12 de Agosto de 2008

maléna

É difícil perceber o que faz um bom filme, mas por outro lado, existem muitos sinais para reconhecer um mau. Qualquer filme que passe mensagens paranóicas, como uma pessoa ter de perder a virgindade na noite do baile de finalistas caso contrário torna-se um sociopata sem qualquer capacidade de relacionamento humano, é um mau filme. Qualquer filme em que o protagonista faz um apaixonado discurso em público sobre o amor e a liberdade que termina com toda a gente a bater palmas em pé, além de mau filme, é um filme idiota. Existem também os filmes que, por princípio, teriam de me arrastar a berrar e a espernear para o ver, e acabo a admitir que sim senhor, é muito bom, como no caso do último 007, "Casino Royale" ou, do lado contrário, os filmes dos quais quero gostar, mas com os quais não consigo ficar satisfeito, como no "O Regresso do Super-Homem", ou em "Maléna". 

 

"Maléna" é um filme italiano recomendado pelo manitum, no qual um rapazola se apaixona pela Monica Belluci e passa a infância perdido de amores por ela. Fez-me lembrar os meus tempos de petiz e como tinha uma paixão parva pela professora de Inglês, que além de linda de morrer era ainda a melhor professora da turma, e é uma boa referência que um filme puxe por algumas felizes memórias da infância. E os cenários da cidade transalpina são lindíssimos, um postal turístico maravilhoso da costa siciliana.

 

O problema começa quando se percebe que apesar do filme estar feito para ser um altar de adoração à Monica Belluci, alguém se esqueceu de dar uma personalidade à personagem dela, que passa todo o tempo sem soltar mais que uma dezena de frases e fez-me pensar porque é que o rapazola ia perder tanto tempo a preocupar-se com ela, a ponto de a proteger como a um anjo da guarda. Ou porque é que a cidade inteira está para devassar a vida dela, haveria por ali outras mulheres bonitas a quem chatear a cabeça. Essa é outra, se algum extra-terrestre quiser estudar a vida humana e começar por este filme, vai ficar com a certeza absoluta de todos os homens serem uma cambada de tarados, pervertidos, indecentes e incapazes, e todas as mulheres víboras venenosas a espirrar veneno a cada palavra e que se trincassem a língua morriam logo ali fulminadas. Apesar disso, ao final é como se nada tivesse acontecido, tudo fica bem entre Maléna e a cidade, como se não a tivessem tratado abaixo de uma cadela nem a espancado na praça pública. Não é um filme que eu recomendasse, a construir uma história inteira à volta de uma única personagem, é bom que a façam o mais fascinante e espectacular possível, caso contrário, não me vou chatear o suficiente para me preocupar. Para mais dúvidas em relação a essa questão, perguntem ao seguinte senhor.

 

 

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publicado por Rui às 22:06
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Quarta-feira, 6 de Agosto de 2008

Traumatismo ucraniano...

Saiu, num jornal de distribuíção gratuita, a relação de profissões dos nossos deputados. E, qual não é o meu espanto, quando vejo que, entre filósofos, reformados, advogados e lavradores (sim, há um), a maioria dos deputados tem a minha profissão: professor.

O meu interesse por política é relativamente diminuto, mas por estes dias vi algo que me fez ter vontade de acompanhar os meus "colegas" numa incrusão no mundo das leis e facadas nas costas. Mas só se fôr para Ministro dos Negócios Estrangeiros...!

Fig. 1 - Primeira Ministra da Ucrânia.

 

Agora compreendo porque tantos emigrantes ucranianos vêm para o nosso país. Aqui ninguém corre o risco de vir a ser preso por Assédio e Atentado ao Pudor a uma figura de Estado...

publicado por Luís às 16:28
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A malta que se vá abaixando...

É quase caricato a forma como os portugueses se agacham e rebaixam a tudo o que puder ser chamado de turista... Qualquer alemão que chegue ao nosso país é recebido em aleman. Qualquer espanhol que chegue cá é recebido em ispañiol. Aposto até que qualquer açoreano é recebido com um b'cadinhe de s'taque... Os franceses não. Esses recebemo-los em bom português porque são todos emigrantes, que se desenrrasquem!

 

Mas qualquer português que vá à Alemanha terá que começar a escarrar o aleman. Em Espanha teremos que andar com a língua fora da boca metade do tempo e cuspir o ispañiol. Porquê? perguntam vocês de uma forma que eu não posso verificar, pois fá-lo-ão dentro das vossas mentes. Pois eu queria muito acreditar que a razão de tal facto seria a nossa superior capacidade linguítica. A nossa sobre-humana condição lusitana que nos faculta o poder mutante soberbo de conseguir ser os intérpretes numa qualquer Torre de Babel. Mas não... Lamento mas não me parece.

Ocorre-me que seja algo no outro extremo do espectro. É o nosso desejo interno de sermos o tapete de "Boas-Vindas" da Europa que nos move. "Ah... O sonho... Quem dera que todo um continente limpasse os seus pés em mim...! Suspiro..."

Ainda há dias tive que reservar hotel em Espanha por telefone. Se o inverso sucedesse, no balcão português todos se desdobrariam em "bale!" e "pero creo que sí!" Agora, neste caso, um simples "gostaria de fazer uma reserva" teve que ser dito num límpido e sonoro "I would like to make a reservation..." Talvez tenha sido porque não disse "se faz favor..."

 

Enfim. Eu compreendo a linha de pensamento lusitana. Vamo-nos abaixando, abaixando... Até que o turista nos veja a ranhura do rabo, entenda a indirecta e ponha uma moedinha...

publicado por Luís às 16:12
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Terça-feira, 5 de Agosto de 2008

de estar doente

Quando começou a Criação, Deus bem me podia ter pedido a opinião para alguns pormenores, como para quando alguém estivesse doente. Sim, todos nós conhecemos aqueles dias em que acordamos alagados em suor, a cabeça pesada, cada movimento a doer, o corpo a largar todo o género de nhanhas pelo nariz. Apesar das minhas divergências com Ele, a ideia das doenças é uma com a qual eu concordo em absoluto. A razão de alguém ficar doente não é, ao contrário das teorias bacocas que as gentes espirituais lançam, ficar mais forte e conhecer o verdadeiro valor da vida, mas sim ser mais mimado que um puto acabado de nascer. Bébés são criaturas pequeninas irresistivelmente adoráveis nas quais é impossível permanecer ao lado sem lhes fazer coceguinhas na barriguinha ou ficar sem o coração absolutamente derretido quando nos agarram o dedo com a mãozinha e não o largam mais, e que me fazem também escrever um artigo que numa única frase contém mais diminutivos que em quatro anos do Bloquito, mas quando essas criaturas começam a medir um metro e oitenta e sete e a terem a barba por fazer, de certa maneira essa mística perde-se e os mimos são relegados.

 

Por um qualquer motivo insondável que Lhe deve ser questionado, há perturbadoras semelhanças entre um bébé e um doente na maneira como são cobertos de mimos por quem os rodeia, desde que essa doença não seja demasiado séria, algo como, por exemplo, uma gripe apanhada por se ter estado a levar com o frio vento aveirense durante um concerto dos Blasted Mechanism. E por um qualquer motivo insondável que definitivamente Lhe deve ser questionado, não se pode perceber como alguém fica doente se não tem ninguém ao lado que lhe dê os mimos porque, para parafrasear uma das mais belas frases que um professor alguma vez me deixou, há vinte anos que não fico doente, desde que me divorciei que não tenho quem me dê mimos, para que é que eu ia ficar doente? Ficar doente e ter de garantir o almoço, levantar para aquecer o chá e preparar as torradas com mel e não ter quem lhe ajeite os lençóis e pergunte de cinco em cinco minutos se precisa de alguma coisa, é o tipo de ironia sarcástica típica do Senhor, a mesma que faz com que bandas como Whitesnake ou Meat Loaf ainda continuem vivos e a vender.

 

Podia continuar a dissertar sobre as minhas divergências com o Pai-Nosso, e vou fazê-lo, porque outra invenção que tem o mesmo grau de importância na Existência que as torradas caírem sempre com a manteiga virada para baixo, é aquela gente que, ao saber que pedi um dia no trabalho porque até ir à casa-de-banho dá arrepios, e não aqueles arrepios que a Jennifer Connelly me daria se estivesse à minha frente num concurso de olhares fixos, fica com aquele arzinho de ai, e ficaste em casa só por causa disso, eu já fui trabalhar com não-sei-quantos-de-febre, todo fodido! Podem dizer-me que é uma atitude muito corajosa, e eu direi que sim, é verdade, tão corajosa quando escovar os dentes com arame farpado.

 

 

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publicado por Rui às 22:55
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Deixem-me rir...!

Pel'amordedeus...!

Mas quem é que consegue suspender a sua descrença ao ver aquele programa? Como é possível achar que aquilo não é o maior logro desde as noções adolescentes sobre o que é o Amor?

"Sabe Mais Que Um Miúdo De 10 Anos?" E fazem perguntas do 5º ano de escolaridade? Mas qual é a criança hoje em dia que anda no 5º com dez anos? Eu sou professor e conheço poucas.

Para o programa estar de acordo com o panorama educacional português deveria integrar questões só e apenas até ao 3º ano.... E alargar o tempo limite de resposta (sim, eu sei que não há tempo limite).

 

Ou então continuem a ter perguntas do 5º ano e recrutem alunos que estejam mesmo nesse ano de escolaridade. Claro que não o vão fazer. Corriam o risco dos "miúdos" começarem a galar as concorrentes...

publicado por Luís às 21:21
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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

o fim do bloquito(s)

Esta semana vi um homem crescido com uma música da Shania Twain no toque de telemóvel, o que reparei porque ao receber uma chamada não a atendeu de imediato, ficando a olhar para o ecrã enquanto deixava a I'm gonna getcha while I gotcha in sight a correr, o que infelizmente me deixou a mim durante o resto do dia a trautear I'm gonna getcha if it takes all night. Uma vez que o rapazinho não vinha com um atestado de atrasado mental carimbado na testa, perguntei-me se não seria em legítima defesa que lhe podia mandar um soco nas trombas e dois bem sacados pontapés nos rins. Não ia ser boa ideia, Deus ia-me apontar isso à cara quando estivesse às portas do Céu, e como ainda agora estou com o raio da música na cabeça, nada me garante que por alturas em que batesse as botas não estivesse ainda a trautear  You can betcha by the time I say go, you'll never say no. E de certeza que Deus, como o pequeno mesquinhento que é, me iria dizer uma coisa tão parva como não puder apontar aos outros aquilo que eu próprio faço.

 

Esta introdução apenas para explicar que este é então o último artigo no Bloquito(s), o que daria uma oportunidade, à qual não vou recorrer, de uma das mais enjoativas invenções da Humanidade, os discursos de despedida com muitos que orgulho em ter feito parte deste projecto, dei muito de mim mas é altura de percorrer novos caminhos, sou agora uma pessoa mais forte, entre outras regurgitações que não vou repetir porque já sinto aqui um aperto na garganta só de falar. Ainda que, admito, esse aperto possa ser porque este fim-de-semana fui ver os Blasted Mechanism em concerto e, sendo o distrito de Aveiro fiel a si próprio, estava uma ventania desgraçada que me espetou com uma gripe e todos os sintomas associados.

 

A verdade é que neste Bloquito(s), e na sua versão 1.0, perdi imenso tempo, algum dinheiro, não conheci, ao contrário do que todos os filmes da minha infância e adolescência disseram, uma modelo podre de boazona que se apaixonasse loucamente por mim e pela grande personalidade que revelava no que escrevia, além do toque que foi este maldito artigo, que se recusou a morrer enquanto não o fiz nascer e me deixou dias semanas meses a fio a tratar dele. Sim, se eu fosse um jogador da selecção de futebol, podia escrever um livro inteiro só sobre esse artigo e iria vender milhares. Mas como não sou, deixo em jeito de despedida esta magnífica fotografia, tão vaga e sem sentido que deixará todos os que a associarem com este artigo a reflectir qual será o profundo significado que tem. E a resposta é nenhum, pois claro.

 

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publicado por Rui às 23:08
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