Domingo, 14 de Setembro de 2008

MMS #1: Günther - Ding Dong Song

Aconteceu recentemente embriagar-me com as estruturas sinfónicas de Stravinski e do seu Жар-птица, a sinfonia do Pássaro de Fogo, enquanto me embrenhava nas complexidades literárias e filosóficas da autobiografia de Zézé Camarinha, quando me surgiu a reflexão da tão profunda necessidade da Humanidade numa arte que reunisse, simultaneamente, as visões e ofertas artísticas de ambos os vultos. A caneta de Camarinha com a virtuosidade de um Mozart. O virilismo do "Joseph of the Moustache", sem dúvida a recordar um outro ícone da pena, do viril e do bigode, Ernest Hemingway, com as texturas orgânicas de Amadeus Wolfgang. As gajas comidas pelo auto-proclamado último macho lusitano com a intensidade e genialidade do eterno rival de Salieri. Mas esse é um nicho que, graças a Gunther, não mais se encontra por explorar!

 

Mas quem é Günther? As actuais enciclopédias nada revelam, uma posição que, se por um lado pode ser tida como nada menos que ultrajante devido às questões que mais à frente serão apresentadas, por outro pode revelar ainda mais. Será menos um homem e mais um ícone, menos uma amálgama amorfa de carne e desejos e receios e mais um recipiente das maiores e mais nobres aspirações da Humanidade? Aspirações essas, acredita-se, de comer muita gaja. E assim como Buda ou Madonna, também eles imensos ícones, Gunther apresenta-se com um único nome próprio, a reforçar a ideia que é menos uma personalidade individual e mais um receptáculo das aspirações colectivas mundiais, tanto podendo ser o Bodhisattva, quanto o homem do talho. Homem do talho, de quem, aliás, até já foi buscar o ridículo bigodinho e péssimo corte de cabelo.

 

Günther foi-me apresentado através dessa mostra da versatilidade da Humanidade que é o You Tube, e logo aos primeiros acordes a dúvida me assaltou, poderosa, inquietante, profunda: o que seria esse misterioso "tra la la" que tanto atormentava o artista? Como nas mais geniais criações, nunca nos é revelado, sem dúvida para que cada um possa preencher o vazio com as suas próprias vivências e experiências. com um universo das emoções e inquietações tão mundanas e, todavia, tão humanas.

 

Etiqueta:
publicado por Rui às 11:57
ligação | comentar

Março 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

29
30
31


Pesquisar

 

Arquivos

Março 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Maio 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Artigos recentes

assim a modos que daquela...

coisas em que não se pens...

também é verdade

os anéis no céu

P.A.C. Man

no trabalho

emoções

à procura...

#1

intenções

RSS

:.