Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008

visitas

Parece que nenhum dos meus correspondentes conseguiu dormir a pensar nos meus hábitos de leitura, porque bastou uma referência à Caras no passado artigo para ser inundado de mensagens a questionar-me que história era essa, a ler a Caras, mas desde quando é que eu!, etc., mas têm de redefinir as prioridades na vida, porque a única vez que perdi uma noite de sono foi numa noite de Natal em que recebi o boneco do chefe dos transformers bons, aquele que se transformava em camião, e nem preguei olho de tão excitado que estava. Isto do espectacular brilhantismo com que escrevo ser desprezado em relação aquilo que leio é de uma tal lógica tal que me faz partilhar uma história plena de graça e poesia, como qualquer outra que seja dedilhada pelas minhas mãos. Sempre tive para mim que mais um minuto que fosse no Bloquito(s) e teria de ser ligado por via intravenosa ao computador, ou então com um daqueles cabos na nuca como no Matrix, mas nos últimos dias alguém anda a conseguir a proeza de passar ainda mais tempo aqui do que eu, e aposto que é aquele palerma do intercidades para Aveiro na última sexta-feira, que estava de óculos escuros dentro do comboio, de noite!, e a enviar mensagens durante toda a viagem com o som das teclas ligado. Perguntei-me se as autoridades teriam a ousadia, mas alguém me iria apontar algo!, pegasse eu naquele idiota e o atirasse janela fora com o comboio ainda em andamento? Não o fiz, por ser tão espectacularmente bem-educado, claro, limitei-me a azucrinar-lhe a cabeça, atirando bolinhas de papel ao cabelo milimetricamente despentado e traçando-lhe a perna sempre que passava no corredor, mas de alguma maneira descobriu ser eu um dos autores do Bloquito(s) e é por isso que passa tanto tempo aqui, a preparar a pior das vinganças que se pode fazer na Internet, um ataque maciço aos artigos com maus comentários de péssimo português e piores argumentos. Até já começou.

 

Descobri isto porque instalei um contador de visitas no Bloquito(s), o que permite saber quem visita, quantos são, por onde entram, o que procuram, entre outras questões perfeitamente inúteis sem as quais não consigo viver, e se argumentarem que este género de informação só serve para me inchar o ego na directa proporção do número de visitantes, têm toda a razão, porque não há nada mais que goste mais que usar o volume de tráfego de pessoas como uma medida do meu valor enquanto ser humano, e ainda serve para saber algumas das frases hilariantes que procuram no Google para virem cá parar, como:

  • "massagistas sensuais": tudo bem, nunca faltaram por aqui massagistas sensuais, prontas a satisfazer todos os meus desejos lascivos enquanto me refrescavam a abanar folhas de palmeira e me serviam néctar com mel;
  • "onde fazer colonoscopias": é justo, quem me conhece sabe que já passei por esse momento em que nos enfiam aquilo que é, basicamente, um cabo de vassoura pelo rabo acima, sem anestesia, e dizem que é um exame médico, e é natural que alguns artigos reflectam isso;
  • "países onde a exploração infantil tenha diminuído ou acabado": vamos a ver se nos percebemos, assuntos sérios e preocupados é onde traço uma linha, porque ainda se pega a ideia que isto é um espaço preocupado com as grandes questões do nosso tempo e dedicado aos supremos valores da liberdade, democracia e justiça. Ui, que horror, não quero cá nada disso!

Este novo sistema de um contador estatístico também me fez descobrir que o Bloquito original, desde que encerrou há meia dúzia de meses, tem decuplicado o número de visitas, o que me fez suspirar de alívio e perceber que finalmente tinha sido descoberto por um grande caçador de talentos que me iria levar para a terra prometida onde iria passar o resto da vida a trabalhar na meca do cinema e a participar em festas de drogas pesadas e prostitutas, mas a vida, ou neste caso o contador, caiu-me em cima ao revelar que uma única imagem da Luciana Abreu era a responsável por todas essas visitas. Se as pessoas preferem os seios da Luciana Abreu ao brilhantismo daquilo que escrevo, daqui se infere que aquilo que leio tem para os meus correspondentes o mesmo valor que os seios da Luciana Abreu. Isto da lógica é realmente uma coisa fascinante.

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publicado por Rui às 22:08
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1 comentário:
De Nuno a 6 de Outubro de 2008 às 15:07
Sim, bem-vindo à Escravatura da Notoriedade Cibernética, vulgo o contador de visitar.

Eu também passo por isso, porque todos os dias vou à minha página do DeviantArt (se não conhecem façam o favor de clicar no meu nome) para ver se já cheguei a este ou aquele valor. E como tenho subscrição paga, tenho direito a estatísticas de visitas diárias, mensais e anuais, com direito a médias aritméticas para cada período!

Fica descansado, eu só visito este Bloquito singela pelo que cá se escreve. Não pelos belíssimos montes de prazer da Sr.ª Abreu (assim tira um bocado da pica, não é? Senhora!) ou pelas fotos dos membros dos Tokio Hotel! Se bem que aquele artigo está muito bem esgalhado.

PS: Lá tens que aturar hate spam... Mas se é esse o preço da notoriedade, enfim! Pode ser que te apareça alguma love spam! ;)


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