Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Páginas de carne...

Rio-me todos os dias com o quanto nós, meros e básicos seres humanos, nos parecemos com algo tão complexo como um livro.

Entro na Fnac (que saudades...!) ou numa Bertrand e pego naquele livro que andava de olho há semanas. A capa é linda, fantástica, faz crescer água na boca. Dá vontade de lhe tirar a capa protectora e comê-lo ali mesmo...

Abro-o... O Prefácio diz-me que a sua leitura vai ser fantástica, a forma como se apresenta faz-me crer que vou passar os melhores momentos da minha vida entre as suas páginas abertas. Tenho fome e continuo a refeição de páginas, conheco-o melhor.

É aqui que a diferença assume a sua importância. Com o desenrolar das páginas não conseguimos deixar de nos aperceber que aquele tão namorado livro não é tão genial assim. Há incongruências. Apercebemo-nos vítimas de publicidade enganosa. Compreendemos que quem quer que seja que escreveu o Prefácio se baseou apenas nas primeiras e maravilhosas páginas.

Agora surge a escolha: ou continuamos a leitura, o processo de conhecimento daquele livro, com a noção de que vamos ser desiludidos mas com o sistema automático de arremessar essas desilusões para o nosso cesto de Reciclagem mental; ou largamos o livro, desistimos de nos aprofundar naquelas palavras, voltamos a colocar aquilo que agora se torna apenas uma resma de fiolhas de carne na estante e passamos a limitar-nos a cumprimentar a sua lombada com um rápido e amargo "Bom dia!", cientes de que mais do que isso nos vai levar a não querer sequer olhar dita lombada e esquecer que tal livro sequer existe.

Pessoalmente (como qualquer ser humano, creio eu), tenho as minhas estantes cheias de livros de "Bom dia", alguns, raros, livros que li até ao fim e releio diariamente com prazer e, infelizmente, alguns livros que atirei recentemente para trás da estante e outros que tenho a servir de calços em peças de mobília. Só não os queimo com medo de me chamarem de nazi ou simplesmente ignorante.

E pensar que isto se resolvia tudo se eu conseguisse, simplesmente, controlar a minha vontade de querer gostar de tudo o que leio...

publicado por Luís às 11:25
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