Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008

osho

Costumam perguntar-me que relação tenho com os livros do Osho, com alguns exemplares na estante e várias referências no Bloquito(s). Na verdade ninguém me pergunta isso, geralmente perguntam-me "o que é que estás a fazer?", não no sentido de "estou realmente com imenso fascínio pelo que estás a executar neste exacto momento!", mas mais como "estou-te a ver outra vez a fazer asneirada das grandes mas dou-te cinco vírgula trinta e sete segundos para te explicares antes de perder a cabeça e levares já aqui mais uma pissada!", mas vou responder à mesma. Sou um fala-barato, é o que é.

 

Uma vez que era um daqueles ateus ferrenhos que se consideram os maiores quando percebem que o Deus do Antigo Testamento é um filho da mãe vingativo que não tem nada a ver com o oceano de paz e tranquilidade do Novo Testamento, isto do Osho começou, como não podia deixar de ser, com uma menina toda zen, e porque tenho esta péssima tendência de simular as pessoas que conheço porque nunca me considero suficientemente bom, comprei um tal livro só para me armar. Para os mais curiosos, a história acabou como todas as minhas histórias, i.e., ela a admitir que eu era tão bonito exactamente como era, e a prosseguir para conhecer pessoas muito mais fascinantes e espectaculares. Mas admito que terá sido uma fase a surpreender muita gente, que viam juntar-me a um mundo espiritual como meter o Incrível Hulk numa mesma sala com o Wolverine, se me perdoam a comparação incrivelmente nerd.

 

Mas o Osho, então. Não revelo o segredo da bomba atómica à Alemanha Nazi se disser que vivemos tempos francamente fodidos, primeiro porque ninguém está satisfeito com o que tem, vários milhares de idiotas fazem objectivo de vida destruir qualquer satisfação que se possa ter, que bastou regressar maravilhado da Cidade Das Luzes para haver quem apontasse como tinha feito muito mal em andar a passear assim, e que de certeza não tinha gostado "assim tanto" de Paris, e segundo porque é da natureza humana estar sempre insatisfeito, o que se por um lado permite reconhecermos os nossos erro e admitir que o "The Knight Rider" já nem na altura era assim tão espectacular, por outro tenho a certeza de ser essa a razão de muitas vezes acordar a meio da noite sem  conseguir voltar a dormir. Há quem se tente enganar a dizer que está muito bem porque, enfim, há quem esteja pior, mas não é por o pobre coitado da sala ao lado estar com um cancro intestinal terminal que me vou sentir melhor acerca das minhas hemorróidas.

 

A missão não é então tanto choramingar como a Vida é bela, porque se há verdade em relação à Vida é ser cruel e sem qualquer ponta de razão, lógica ou intuição, basta verificar que sou daquele género de pessoa que adora ser rejeitado, e que a melhor maneira de me conquistarem é sujeitarem-me a rejeições daquelas de ir às lágrimas, mas se pensarem em demonstrar qualquer tipo de interesse vou demonstrar como sou um covarde emocional e fugirei a sete pés. Sim, é um mundo tramado, ainda para mais com uma hiperactiva mente como a minha, que não consegue deixar de reflectir em tudo, desde as actuais microtendências que reestruturam o mapa geopolítico mundial, até aos caminhos que a formiga em cima da mesa do pequeno-almoço está a tomar em direcção ao Suchard Express, e o Osho e asseclas propõem-se a meios de eliminar o lixo mental que se vai acumulando nas nossas cabeças ao longos dos dias, meses, anos, décadas, e que nas piores alturas sempre aproveita para mostrar o seu aroma putrefacto. Mesmo admitindo que o cérebro humano será das coisas mais formidáveis que a Evolução inventou, é impressionante a quantidade de caca que consegue acumular, que eu ainda estou para perceber que tipo de alto propósito evolucionário serve, após vinte anos, estar para aqui a trautear a música completa do Vitinho. "Está na hora, da caminha, vamos lá dormir!", e etc...

 

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publicado por Rui às 10:58
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1 comentário:
De Palavras de Osho a 25 de Fevereiro de 2009 às 21:33
Uau!


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