Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008

Inutilidades

A questão do (des)emprego é muito preocupante, sim senhor, mas há que meter o dedo na ferida e admitir que há profissões que andam por aí sem fazer nenhum. O que não deixa de mostrar os tempos em que andamos metidos, porque se dantes eram as pessoas que não faziam nenhum, agora são os próprios empregos que não se percebem muito bem. Os comentadores de futebol são dos primeiros. Repare-se, isto é gente que, por obrigação profissional, tem de gramar coisas como aquele Benfica - Paços de Ferreira da semana passada, tão emocionante (?) que se entretiveram a contar os espectadores nas bancadas. Isto não é um lirismo, um dos comentadores perguntou mesmo ao colega, "E então, já contaste os lugares ocupados?". É esta gente, após gramar com coisas destas que vai escrever nos jornais "o futebol é como a vida, mas sem as partes aborrecidas". Ou eu ando a perder alguma coisa no futebol (uma hipótese que apaguei logo após gramar o Portugal - Itália, também pelas semanas passadas), ou estes senhores andam a perder alguma coisa na vida. Mas percebo. Antes mandar patacoadas destas e assegurá-lo ao final do mês, do que ir para a linha do centro de (des)emprego.

 

Não pela insustentável leveza do ser desempregado, mas porque as gentes do centro de emprego são outras que também não sabe muito bem o que andam a fazer.

 

Fui hoje ao referido centro de emprego, por dúvidas em relação ao desemprego, coisas como a inscrição, os subsídios, as percentagens, os comprovativos. O que se seguiu foi algo na linha do seguinte "diálogo":

 - Fiquei agora desempregado, e estou com algumas...
 - Então só tem de enviar o modelo MR1, que tem de estar preenchido pelo empregador, para a segurança social (espere aí que já lhe arranjo um), mas olhe que nós aqui não tratamos de nada.
 - Já tenho o modelo, mas não é por isso que estou aqui, estou com dúvidas, como se...
 - Sim, mas é a segurança social que trata disso.
 - Mas aqui é que é o centro de emprego.
 - Sim, mas só lhe posso arranjar o papel, olhe, só tem de o preencher e...
 - Mas eu não quero o papel, quero que explique como é que funciona o desemprego!
 - Mas, senhor, já lhe disse que é a Segurança Social que trata das questões do desemprego.
 - Mas vocês é que são o centro de emprego!

 

A originalidade de um centro que não trata daquilo para que foi criado. Suspeito que anda aqui o Simplex. Nada mais simples para remover custos e burocracia do que manter todos na ignorância.

 

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publicado por Rui às 19:38
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2 comentários:
De Luís a 18 de Fevereiro de 2008 às 20:58
repara que "emprego" não é "a mesma coisa" que "desemprego"... coisas distintas. um sítio emprega-te, o outro paga-te enquanto não estás empregado. Espera até teres que tratar de coisas numa cidade e tens secções do teu processo nos centros de emprego nas cidades por onde trabalhaste. Eu já vou em 5... E agora com esta coisa da ilha... bem, até tremo...!


De Transbordices a 19 de Fevereiro de 2008 às 00:40
Eu há tempos fui até ao centro de saúde. Na realidade sou um autêntico ignorante nestas coisas da doença, das raras eventualidades em que ainda posso dizer-me protegido pela sorte, mas como nunca se sabe o dia de amanhã, aproveitei a ocasião para investigar como funcionam os nossos serviços de saúde, logo agora que se ouve tanto de tão pouco na comunicação social. É que estou a precisar de uma limpeza nos ouvidos, facto derivado de ser forçado a dormir com tampões esponjosos, já que tenho o sono ligeiro e a minha casa ficar situada mesmo à beirinha de uma avenida com enorme afluência de tráfego. Pelo que presenciei no centro de saúde fiquei com medo de um destes dias me vir na situação de necessitar. Cheguei até a pensar se não estaria com ar de bombista suicida, tal a grosseria com que fui atendido no guiché de recepção. Não costumo frequentar serviços públicos com grande frequência por questões que se prendem com hábitos de vida, mas será que a atitude daquela senhora revela o padrão? Quase que me afuguentava para sempre por via da intimidação, não fora eu em certas ocasiões obstinado e pela necessidade insistente. Olhou para mim como se a necessidade de fazer uma limpeza interna aos ouvidos fosse uma ofensa. Que no serviço público não devia ser capaz de fazer tal coisa. Que aquilo era só um centro de saúde. Fiquei na dúvida quanto ao que era suposto fazer-se num centro de saúde e ela remeteu-me para uma clínica particular quatro ou cinco quarteirões mais abaixo. Nem toda a gente tem posses para se tratar em clínicas particulares, principalmente quando se ganha pouco e desconta muito, retorqui. Que não sabia de nada, ali não se fazia lavagens ao ouvido. E no Hospital? Deu-me o telefone do hospital mostrando-se contrariada. Afastei-me muito celeremente do centro de saúde, sem olhar para trás, pensando no que será de mim se um dia cair nas malhas da doença e não tiver posses para procurar atendimento privado. E anda o povo a descontar para isto hem? O sistema tá avariado. Para onde vão os ricos trinta e tal porcento de descontos que me saem todos os meses do lombo? É que é quase metade do que eu ganho. Que raio...


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