Terça-feira, 8 de Abril de 2008

Aquela coisa, aquela nova ponte

Estive ontem a ver o Prós & Contras, em relação à nova ponte de Lisboa, e ainda não percebi se é mesmo necessária a terceita travessia do Tejo. Agora, sei que a travessia das pontes é um atrofio, que basta haver um mau acidente na 25 de Abril para toda a cidade ficar entupida, que pela Vasco da Gama, a menos concorrida das duas, passam uns sessenta mil veículos por dia, etc, etc, etc.

 

O que não vejo é alguém a explicar, matematicamente, a necessidade imperiosa da ligação Chelas - Barreiro. Repare-se, não é uma pequena graçola que se quer fazer em cima de um minúsculo ribeiro, é um projecto com um custo de mil e setecentos milhões de euros, mais derrapagens orçamentais, mais impacto sonoro, ambiental, estético, etc, etc, etc.

 

Mostrem, demonstrem, que realmente uma terceira ponte vai dar solução ao trânsito caótico. Há modelos matemáticos, análises estatísticas, pontos de benchmarking, que podem ser analisados. Quantos carros vão ser desviados? Que nível de fluxo rodoviário? Quais as análises de custo-benefício? Que percentagens vão sair de Lisboa e da Margem Sul? Porque, até onde sei, a Vasco da Gama esteve longe de dar um resultado satisfatório aos que se pretendia, i.e., continuou a entupir a 25 de Abril e a desfazer a pachorra de quem a cruza todos os dias.

 

Parece-me ser um ponto insistente, o de apostarem nas estupidificantemente megalómanas obras - o novo aeroporto, o TGV, as pontes sobre o Tejo - sem que ao menos justifiquem o porquê. Primeiro decide-se que se faz, depois decidem-se as mariquices, se fica mais para a esquerda, se fica bonito, se com treliças ou com vãos, e depois, muito depois, lá alguém percebe que talvez não tenha sido grande ideia. Parece-me coisa para dar mau resultado: qualquer dia apostam em, sei lá, meter-se na organização de uma enorme competição desportiva para depois dá uma caca descomunal e ficam abandonados os investimentos de milhões de euros. Mas enfim, que sei eu!

 

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publicado por Rui às 19:32
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3 comentários:
De Mauro Maia a 9 de Abril de 2008 às 00:24
Curiosamente, já li a opinião de alguém (matematico ou físico, não me recordo já) que opinou que qualquer estrada, qualquer travessia nova que se faça, só soluciona o problema enfrentar momentaneamente. Porque assim que uma nova estrada é aberta ou uma nova ponte é inaugurada, mais pessoas saem com carros, mais carros são comprados porque agora «o trânsito está mais facilitado». Em pouco tempo, as novas vias estão tão congestionadas como as antigas. Remedeiam mas não solucionam...


De Zé da Burra o Alentejano a 9 de Abril de 2008 às 10:36
Inicialmente defendi que a Gare do TGV deveria ficar no Aeroporto de Alcochete, de onde haverá um comboio suburbano para Lisboa , mas o Governo quer que o TGV chegue mesmo a Lisboa e à Gare do Oriente, por isso, como já comentei em vários "blogues", eu defendi uma travessia ferroviária para o TGV e outros comboios a partir do Montijo, por ser mais curta do que no Barreiro e não descaracterizar a imagem do rio e do "Mar da Palha", em Lisboa. Uma outra travessia só rodoviária deveria ser construída por túnel entre Algés e a Trafaria por ser esse o local em que faz já falta. A não ser construída, adivinha-se o regresso do caos à 25 de Abril daqui a uma dúzia de anos.

A travessia rodoviária Algés e a Trafaria retiraria certamente bastantes veículos automóveis da ponte 25 de Abril, que ficaria assim disponível para receber o trânsito que hoje utiliza a Vasco da Gama dada a saturação da 25 de Abril.

O trânsito do novo aeroporto far-se-ia então sobretudo pela ponte Vasco da Gama que ficaria aliviada porque uma parte do seu actual trânsito transitaria para a 25 de Abril ou deixaria simplesmente existir porque os actuais utentes passariam a utilizar o comboio suburbano que servirá certamente o novo aeroporto de Alcochete.

A travessia em Algés, que daria seguimento à CRIL , a qual termina hoje em Algés numa rotunda, poderá ser por ponte ou por túnel, mas a ser feita por ponte terá quer ser tão ou mais alta que a 25 de Abril, por isso, penso, que a melhor solução deverá ser o túnel e talvez fique mais barato. Mas os especialistas poderão avaliar.

O facto de Lisboa passar a possuir uma travessia diferente das restantes teria até interesse estratégico e militar.


De Luís a 9 de Abril de 2008 às 12:25
Isto é que é o suco da barbatana. É o nosso dinheiro que está a ser gasto e a justificação da localização ou da própria existência de qualquer uma destas obras é apenas um sonoro "porque sim". Quem é que optou por Barreiro-Chelas? Digo-vos, a mim, que estou de fora da situação, vivo longe de Lisboa e provavelmente nunca irei utilizar dita e fantástica obra (o que me capacita para falar por praticamente todo o país) a decisão da localização da ponte pareceu (mesmo) ter sido tomda porque a malta do Barreiro fez muito barulho e pediu com jeitinho. Ora, como mais nenhum autarca se chegou à frente a pedir, deu-se a ponte àqueles... suspiro.


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